1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Brasil

Uma revolução adaptada

Imprensa alemã faz balanço do governo Lula, destacando seriedade do programa político e resistência da ala mais radical do PT.

default

“Lula e Brasília!” – exclama o diário S üddeutsche Zeitung deste domingo (12/5) – “Sob o legendário céu do planalto cruzam-se dois dos mais significativos experimentos que a gigante nação já viveu nos últimos 50 anos.” Assim como o projeto de Niemeyer e Lúcio Costa ainda exerce grande fascinação sobre o imaginário europeu, o governo Lula continua sendo avaliado pela imprensa alemã como um marco fundamental de ruptura, mesmo passada a euforia das eleições.

Estabilidade: mais econômica do que política

Num balanço do quadro político-econômico brasileiro, o S üddeutsche Zeitung enfatiza a curiosa inversão de expectativas em relação ao governo do PT: “O ex-marxista Lula vai arruinar o país – temiam seus adversários. Agora, eles elogiam sua política financeira, enquanto seus antigos aliados se sentem traídos.”

O real se estabilizou, a economia cresceu, o índice-risco caíu e a inflação também. Estas garantias de estabilidade econômica, que contribuíram para reconquistar a confiança dos investidores estrangeiros, geralmente são ignoradas pela ala mais radical do PT – descreve o jornal, pincelando as principais críticas internas contra Lula. A pretensa “lógica neoliberal” de sua política econômica e a ausência de diálogo são destacadas como as principais acusações dos correligionários mais radicais.

Política austera, apesar da impopularidade

Na avaliação do diário, que pinta o quadro político em cores mais sombrias do que a situação econômica, o maior desafio que Lula enfrenta é encontrar um meio-termo entre as exigências das bases e as determinações da política financeira. Um sinal promissor, em meio a esta difícil prova de poder, seria o apoio de 75% da população, de acordo com enquetes recentes.

O jornal semanal Die Zeit, por sua vez, traça um quadro econômico mais complicado. Os altos juros e a austera política de contenção de despesas limitam a margem de atuação do governo e inviabilizam a realização de ambiciosos projetos de política social. O prognóstico de crescimento econômico foi reduzido de 2,8% para 2,2% e o desemprego tende a aumentar, na avaliação dos especialistas.

O jornal lembra de tudo isso, destacando – no entanto – que a credibilidade do Brasil entre investidores estrangeiros só pôde ser conquistada graças a metas orçamentárias mais ambiciosas do que os antecessores neoliberais jamais haviam traçado.

Ao lado da grave situação econômica, o Die Zeit esboça o conflito político de Lula com seus correligionários, atribuindo-o à necessária transformação de “trotzkistas, leninistas e guerrilheiros em social-democratas liberais”. Os desafios mais imediatos de Lula seriam a aprovação da reforma da previdência e o conflito com o MST.

A posição do governo é deduzida das palavras de José Dirceu: o governo Lula terá que dar continuidade à sua rigorosa política econômica, apesar da impopularidade, e estabilizar seu orçamento a médio ou longo prazo por meio de reformas estruturais.

Links externos