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Cultura

Uma nova tese para a Mona Lisa

Após dez anos de estudo, pesquisador francês diz ter descoberto diversas pinturas sob a famosa obra de Leonardo da Vinci. Louvre evita comentar afirmação.

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O pesquisador francês Pascal Cotte diante de réplica da Mona Lisa

A descoberta de Pascal Cotte tem tudo para ser uma sensação. Pintada pelo italiano Leonardo da Vinci entre 1503 e 1517, a Mona Lisa é um ícone da cultura ocidental. Desde o fim do século 18, ela está exposta – hoje protegida por um vidro – no Museu do Louvre, em Paris. Visitantes de todo o mundo se encantam com o sedutor sorriso da jovem retratada. Mas e se esse famoso sorriso for uma fachada, e por trás estiver outro rosto?

Durante mais de dez anos, Cotte examinou a pintura. Desde 2004 ele dispõe de acesso direto a ela, e passou a examiná-la usando uma técnica desenvolvida especialmente para esse fim: o layer amplification method, ou "método de amplificação de camadas".

Luz intensa é projetada sobre o quadro, uma câmera filtra e mede as ondas luminosas, o que permite identificar as camadas individuais de tinta. "Agora podemos examinar com grande exatidão o que acontece entre as diferentes mãos de tinta", comentou o especialista à emissora BBC. "Podemos descascá-la camada por camada, como uma cebola." Desse modo é possível estabelecer uma cronologia da aplicação das cores à tela.

O quadro sob o quadro

A afirmação de Cotte pode revolucionar décadas de pesquisas sobre aquela que é, possivelmente, a tela mais famosa do mundo: pois o que o mundo moderno conhece como a Mona Lisa não seria a verdadeira Mona Lisa. A "Gioconda" original estaria oculta por baixo do quadro que hoje se vê.

Bildergalerie Europaliste - Leonardo da Vinci

Leonardo da Vinci: Mona Lisa foi pintada entre 1503 e 1517

O pesquisador francês diz até mesmo ter descoberto diversas pinturas sob a Mona Lisa. Silhuetas e sombras permitem reconhecer um nariz e uma cabeça mais compridos. As mãos também seriam maiores, os lábios, em contrapartida, mais finos. Sob a camada superficial, estaria o retrato de uma outra pessoa sentada, olhando para o lado.

O Louvre se recusou a fazer qualquer comentário. A justificativa é que isso não seria "parte da tarefa de pesquisa". Uma indicação de que a tese de Cotte é realista?

À espera de provas visuais

Segundo Iris Schaefer, diretora do departamento de restauração e tecnologia artística do Museu Wallraf-Richartz de Colônia, "não era inusual os artistas fazerem alterações nos quadros". Na maior parte das vezes o motivo era falta de material. Mas também se o autor da encomenda mudava de opinião, o executante era obrigado a retomar o pincel. Isso ocorre em todas as épocas da história da arte.

Por isso, Schaefer não descarta a possibilidade de que haja outra pintura sob a Mona Lisa, e não tem qualquer "dúvida de princípio" quanto à tese do colega. Ainda assim, faltam provas visuais: "Antes que eu possa acreditar em Cotte, preciso ver as imagens dos resultados. Precisamos de um exame mais preciso."

Para ela, a afirmativa do francês é "corajosa". Caso se confirme, seria uma sensação no mundo da arte. "No entanto lançaria muitas questões", opina a restauradora. O quadro oculto também será da autoria de Da Vinci, ou de outro artista? Quem é a(o) retratada(o)? A ciência teria muito trabalho para responder a essas perguntas.

O Museu Wallraf-Richartz tem igualmente experiência na análise de quadros antigos. Recentemente ele mandou examinar A Mãe de Deus em meio à folhagem da roseira, do velho mestre Stefan Lochner, de Colônia.

Recorrendo à estereomicroscopia, luz infravermelha e radiografia, os pesquisadores reconstruíram os diferentes passos na criação da obra da Alta Idade Média. Devido a sua popularidade, aliás, o quadro a óleo foi apelidado de Mona Lisa de Colônia. Embora, ao contrário da sensualidade da obra-prima renascentista italiana, seu sorriso irradie graciosa seriedade.

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