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Economia

Uma feira na corda bamba

Baixa conjuntura internacional, guerra no Iraque, insegurança com a epidemia de SRAG que começa a espalhar-se fora da Ásia: não podia ser pior o contexto para a Feira Industrial de Hanôver deste ano.

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Feira de Hanôver: a situação real é melhor que o ânimo dos empresários

Para Michael Rogowski, o presidente da Confederação da Indústria Alemã (BDI), o ano de 2003 praticamente já é passado – e isto, com resultados negativos. Apesar de tudo, o chanceler federal alemão, Gerhard Schröder, foi bem recebido por expositores, ao fazer a sua tradicional visita à Feira.

Não se tratou, nesses casos, de simples cortesia ou de mero acaso. Na verdade, é muito boa a situação de uma parte do setor econômico alemão: não apenas da indústria automobilística, voltada para o mercado mundial, mas também de inúmeras empresas de médio porte. Schröder conheceu firmas com aumento percentual de dois dígitos nas encomendas e que operam nos limites de sua capacidade de produção.

A situação é inteiramente distinta de ramo para ramo, em parte até mesmo de empresa para empresa. Mas, quando se faz uma avaliação completa, o desenvolvimento conjuntural nada tem de satisfatório. No final deste mês, o governo federal alemão terá de corrigir o seu prognóstico conjuntural – para baixo. Até agora, Berlim estava prevendo um crescimento econômico de 1%. Mas o ministro da Economia, Wolfgang Clement, não poderá mais fugir à constatação de que isto é demasiadamente otimista.

Redução do prognóstico

A maioria dos institutos de pesquisa econômica não considera realista nenhuma previsão de crescimento econômico de mais de 0,5%. Se Clement aceitar tal avaliação, isto terá conseqüências também para o prognóstico da receita tributária, a ser elaborado no próximo mês. Os orçamentos da União, dos Estados e dos municípios, bem como as caixas da previdência social, enfrentarão problemas ainda maiores. Por um lado, a receita diminui; por outro lado, aumentam as despesas – por exemplo, os subsídios para o seguro de aposentadoria.

A isto se soma o fato de que o Estado não pode ficar indiferente, quando a conjuntura econômica vai por água abaixo. É plenamente plausível uma situação em que os governos tenham de lançar mão da regra excepcional do Pacto de Estabilidade europeu, aumentando as dívidas públicas. Pois não faz sentido, numa época de crise, deteriorar ainda mais a conjuntura, através de poupança.

Compasso de espera

É compreensível que os executivos do setor econômico se mantenham inicialmente em compasso de espera. Esta hesitação é fatal, no entanto, podendo tornar-se uma sobrecarga adicional para a conjuntura. Pois é claro que continuam as racionalizações, que os quadros de pessoal continuam sendo "enxugados" e os custos, minimizados.

Do ponto de vista da administração empresarial, isto pode ser sensato, mas o resultado para a economia do país pode ser constatado nos prognósticos cada vez mais baixos de crescimento econômico, nos orçamentos públicos cada vez mais apertados e nos recordes de falências.

Ânimo pior que a situação real

Tradicionalmente, a Feira de Hanôver – a maior mostra industrial do mundo – é tida como um importante barômetro da conjuntura econômica. Pois os contratos fechados durante o evento garantem o faturamento e a ocupação da mão-de-obra no restante do ano. Partindo deste pressuposto, é importante analisar o balanço final da feira, no próximo fim-de-semana. Pois, mesmo que o número de expositores tenha sido menor que no ano anterior, é possível que haja surpresas agradáveis.

Existem claros indícios de que o ânimo dos executivos do setor econômico seja muito mais negativo do que a situação real das suas empresas. Isto é demonstrado por enquetes, nas quais eles avaliam a situação da sua própria empresa como muito melhor que o desenvolvimento da economia em seu todo.

Retorno ao otimismo

A guerra do Iraque caminha, ao que tudo indica, para o seu fim. O preço do petróleo começa a baixar, o que significa que menos dinheiro das grandes nações industrializadas ocidentais – também da Alemanha – fluirá para o pagamento da conta de importação de petróleo. Isto poderia fomentar a demanda e impulsionar a conjuntura na Alemanha.

A isto se soma ainda o fato de que o setor econômico alemão aproveitou a crise para melhorar a sua competitividade. As empresas estão hoje, no mercado mundial, em situação muito mais favorável que há poucos anos.

Finalmente, também o governo federal alemão entendeu que a protelação não resolverá a crise no mercado de trabalho e nos sistemas de previdência social. Se o chanceler conseguir concretizar o seu catálogo de reformas sociais e, além disto, a conjuntura mundial tiver um novo impulso, a Alemanha estará então do lado dos ganhadores. Para isto, no entanto, a condição prévia – como Schröder já mencionou explicitamente – é que acabem as lamentações no país e que consumidores e empresários recuperem o otimismo.

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