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Mundo

Um vencedor pálido

Jornais alemães demonstram ceticismo em relação à vitória de Néstor Kirchner na Argentina: ninguém conhece de fato o perfil do novo presidente, eleito com o aval de uma faixa modesta do eleitorado.

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Néstor Kirchner, presidente eleito da Argentina

A carreira relâmpago de Néstor Kirchner, que subiu em curto espaço de tempo de governador de menos de 200 mil argentinos a presidente de 37 milhões, é motivo de perplexidade para a imprensa alemã. Os jornais atêm-se mais a narrar as circunstâncias em que ele passou de "homem que ninguém conhece" a candidato e, finalmente, vencedor das eleições para a presidência na Argentina — após a desistência de Carlos Menem — do que propriamente a comentar o que sua vitória representa para o país.

Recorrendo à autodefinição

O que mais chama a atenção nesse político é o fato de não ter, para observadores externos, um perfil definido. Para caracterizar esse "representante do peronismo clássico e opositor do neoliberalismo", recorre-se com freqüência a algumas poucas frases marcantes que Kirchner pronunciou desde que subiu ao palco da política nacional e atraiu também as atenções internacionais.

"Eu não sou um vendedor de ilusões. Sou um administrador sério e eficiente" e "não sou prisioneiro dos interesses das grandes empresas" são declarações do presidente eleito que os jornalistas citam ao apresentar suas características em pinceladas.

Kirchner vai ser um chefe de Estado debilitado, quando assumir o governo, no dia 25 de maio, contando com o aval de apenas 22% dos eleitores argentinos, comenta o Kölner Stadt-Anzeiger, de Colônia, para o qual a Argentina demonstrou não ser "capaz ainda de uma rotina democrática".

Perguntas sem resposta

Ainda que os argentinos possam suspirar aliviados com a desistência do "caudilho" Menem — "sinônimo do declínio de um país antes próspero" —, muitos analistas manifestam preocupação com a luta pelo poder dentro do peronismo, que não consideram resolvida e que será "decisiva para o caos ou a governabilidade da Argentina", prognostica o Die Welt, de Berlim.

O fenômeno do peronismo, aliás, ocupa espaço em muitas das análises, esse movimento "sem programa nem teoria", "próximo da opereta política". E, como que a confirmar a eterna nostalgia dos argentinos por uma Evita, sobressai nas reportagens sobre o presidente eleito a figura de Cristina Kirchner, a mulher forte a seu lado, "principal conselheira de seu marido".

Paira por sobre os artigos da imprensa alemã a grande interrogativa sobre como Kirchner quer enfrentar o que apresentou como sua tarefa central: "o combate à pobreza". Como quer "construir um outro país", se nunca apresentou um programa de governo.

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