Um terço dos brasileiros culpa mulher pelo estupro | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 21.09.2016
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Brasil

Um terço dos brasileiros culpa mulher pelo estupro

Pesquisa do Datafolha mostra que, tanto entre os homens como entre as mulheres, 30% concordam com a afirmação "a mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada".

Quase um terço dos brasileiros concorda com uma expressão que coloca a culpa pelo estupro na vítima, indica uma pesquisa do Instituto Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e divulgada nesta quarta-feira (21/09).

Leia também: Dez anos de Lei Maria da Penha: avanços e lacunas

Segundo o instituto, 30% das pessoas entrevistadas concordaram com a afirmação: "a mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada". O percentual é o mesmo para homens e mulheres consultados. Entre as pessoas que têm apenas o ensino fundamental, a concordância sobe para 41%. Entre os que têm ensino superior, cai para 16%.

"O percentual dos que concordam não varia entre homens e mulheres (30%), o que significa que, para um terço dos brasileiros, a mulher que é agredida sexualmente é, de alguma forma, culpada pela agressão sofrida se opta por usar certas peças de roupa", diz o levantamento.

Na mesma linha, 37% dos entrevistados concordou com a frase "mulheres que se dão ao respeito não são estupradas". Para essa afirmação, o percentual de concordância é maior entre os homens (42%) do que entre as mulheres (32%).

Medo de violência sexual

O estudo também afirma que 65% dos brasileiros temem ser vítimas de violência sexual, percentual que sobe para 85% entre as mulheres e para 90% entre as mulheres que vivem no Nordeste. Para 50%, a polícia militar não está preparada para atender as vítimas, e 42% dizem o mesmo sobre a polícia civil.

A maioria dos inquéritos sobre estupro abertos pela polícia não é esclarecida, e uma minoria de casos que chega à Justiça resulta em condenação. Diante desse quadro, 53% dos entrevistados afirmam que a legislação brasileira protege o estuprador.

Os entrevistados disseram ver a educação como um meio de mudar a atual situação. Do total, 91% concordou com a expressão "temos que ensinar os meninos a não estuprar".

Segundo o 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram registrados 47.646 casos de estupro em todo o país em 2014. Isso significa um estupro a cada 11 minutos, como lembra o FBSP. "Apesar do alto número de casos registrados, é preciso destacar que a maioria das pessoas que sofrem violência sexual não registram denúncia na polícia, o que torna difícil estimar a prevalência deste crime", afirma a ONG, indicando que o número real de casos deve ser bem maior.

Em 2014, uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicou inicialmente que 61% dos brasileiros achavam que mulher que mostra o corpo merece ser atacada. O percentual foi depois corrigido para 26%. A divulgação da pesquisa provocou manifestações nas redes sociais e gerou uma campanha na qual pessoas publicavam fotos de seus corpos ao lado da hashtag #EuNãoMereçoSerEstuprada.

O Datafolha fez 3.625 entrevistas com pessoas a partir de 16 anos de idade, em 217 municípios. A coleta de dados foi feita entre os dias 1º e 5 de agosto deste ano. A margem de erro é 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

AS/abr/ots

Leia mais