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Economia

Um plano para o Iraque

Na avaliação do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica (DIW), a reconstrução do Iraque exige um programa internacional de ajuda nos moldes do Plano Marshall para a Alemanha após a Segunda Guerra Mundial.

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População iraquiana à espera de ajuda

Um plano fundamentado em quatro pilares — preservação da paz, moratória para a dívida, reconstrução da infra-estrutura e autodeterminação política — é o que defendem os peritos do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica (DIW) tendo em vista a estabilização e o crescimento econômico do Iraque e, ao mesmo tempo, a recuperação da confiança na economia mundial. Considerando, porém, os altos custos necessários para atingir essas metas, em comparação com o desempenho real da economia iraquiana, a reconstrução precisaria ser financiada em grande parte por meio da ajuda internacional.

É neste sentido que o DIW fala, em estudo recentemente publicado, de um "Plano Marshall" para o Iraque, em alusão ao European Recovery Program, o programa de recuperação da Europa instituído após a Segunda Guerra Mundial e que se tornou conhecido pelo nome de seu idealizador, o então secretário de Estado norte-americano, George C. Marshall. Destinado à recuperação dos países europeus, abalados após o conflito mundial, e estendido também às zonas de ocupação na derrotada Alemanha, o Plano Marshall serviu de fundamento para o "milagre econômico" da Alemanha Ocidental no pós-guerra.

Longo prazo — A crise econômica no Iraque vem de longa data e adquiriu proporções dramáticas, lembram os economistas do DIW. Com um Produto Interno Bruto (PIB) de 15,5 bilhões dólares, no ano passado, o Iraque tem um desempenho econômico menor do que o de Bremen, cidade-estado no norte da Alemanha com uma população de 650 mil habitantes e um PIB de 20 bilhões de dólares (em 2000). De 1979 para cá, a renda per capita dos cerca de 24 milhões de iraquianos caiu 90%.

Ainda que o país disponha de enormes reservas de petróleo, sua exploração exige tempo. Até 2005, a produção diária pode ser elevada progressivamente para 3,4 milhões de barris. Mas, em grande parte, as receitas não estarão disponíveis, então, para a reconstrução: primeiro, serão destinadas à amortização do capital empregado. Além disso, o Iraque tem dívidas externas, cujo volume o DIW calcula entre 65 e 83 bilhões de dólares, e que produzem cinco bilhões de dólares em juros por ano.

Somando-se a isso os custos para a reconstrução da infra-estrutura, calculados entre 25 e 200 bilhões de dólares, e para a ajuda humanitária à população (dez bilhões de dólares), tem-se o volume total dos recursos necessários à recuperação do Iraque pós-Saddam.

Considerando a desproporção entre o que é necessário e o que o país pode produzir por forças próprias, o secretário do Tesouro dos EUA, John Taylor, defendeu um amplo perdão da dívida ao Iraque, na conferência anual do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, realizada em Tashkent. Uma reivindicação que o DIW apóia: "É importante que aconteça um verdadeiro recomeço agora. O povo não pode se responsabilizar eternamente pelos erros de seus dirigentes no passado", defende Tilman Brück, do instituto sediado em Berlim.

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