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Mundo

Um em cada quatro gays já foi agredido ou ameaçado na UE, diz estudo

Homossexuais, bissexuais e transgêneros ainda sofrem discriminação na Europa, alerta pesquisa inédita divulgada por ocasião do Dia Internacional contra a Homofobia. Hostilidade é presente mesmo em países mais liberais.

Nos últimos cinco anos, 26% dos gays, transexuais, bissexuais e lésbicas foram "agredidos ou ameaçados com atos de violência" na União Europeia, diz um estudo divulgado nesta sexta-feira (17/05) na Holanda pela Agência Europeia de Direitos Fundamentais (FRA, na sigla em inglês).

Tornado público no Dia Internacional contra a Homofobia, o estudo é o maior do tipo já feito entre a comunidade LGBT na Europa. No total, foram entrevistados mais de 93 mil homossexuais e transexuais acima de 18 anos em todos os países da UE e na Croácia, que vai aderir ao bloco europeu em 1° de julho.

"Medo, isolamento e discriminação são um fenômeno cotidiano para a comunidade LGBT na Europa", diz no estudo Morten Kjaerum, presidente da FRA.

O estudo constatou que, mesmo em países tradicionalmente tolerantes, lésbicas, gays, transexuais e bissexuais ainda têm de lutar com problemas que vão do ostracismo social à hostilidade aberta.

Na Holanda, primeiro país do mundo a legalizar o casamento gay, em 2001, 20% dos entrevistados afirmaram que se sentem discriminados em clubes de esporte, hospitais, na procura por uma moradia, em lidar com bancos ou ao sair à noite. Em caso de agressão, muitos disseram não ter coragem de apresentar queixa à polícia.

Início na escola

Segundo o estudo, quase dois terços dos gays na Europa não se atrevem a mostrar publicamente sua orientação sexual. O relatório da FRA apontou para o fato de a discriminação já se iniciar na escola, de forma que muitas pessoas só assumem tardiamente sua orientação sexual.

"Os Estados-membros da UE devem garantir que alunos LGBT se sintam seguros na escola, já que esse é o local onde têm início as vivências negativas, os preconceitos sociais e a exclusão", afirma o relatório.

Morten Kjaerum

Morten Kjaerum, diretor da Agência Europeia de Direitos Humanos

Muitos classificaram o período escolar como um "inferno". Dos entrevistados, 91% afirmaram que presenciaram situações em que colegas de escola foram maltratados porque eram vistos como gays ou lésbicas. Uma boa parte afirmou ter guardado para si sua orientação durante o período escolar.

No emprego, gays também relataram problemas – um quinto dos entrevistados disse que sofreu discriminação no ambiente de trabalho ou na procura por uma vaga.

"Meu comportamento no ambiente de trabalho envolve uma porção de autocensura e contenção de comportamento", conta um alemão, de 31 anos, que prefere não se identificar.

As principais vítimas são os transexuais. Eles foram os que mais admitiram ter sido expostos a comportamentos de intolerância no mundo profissional e no sistema de saúde.

"Eu vivencio tanta discriminação, perseguição e violência, que isso já se tornou parte do meu dia a dia", disse um bissexual e transgênero de 25 anos, proveniente da Lituânia.

Políticos como exemplo

Segundo o estudo, quase metade de todos os entrevistados (47%) afirmou ter sofrido alguma espécie de discriminação no ano passado. Desses, 6% chegaram a relatar agressões corporais, que em parte aconteceram no ambiente familiar.

As mulheres foram quem mais sofreram agressões sexuais. Mas somente um quinto dos casos de agressão e discriminação foi relatado à polícia. Segundo o estudo, muitas das vítimas não acreditam que isso venha a melhorar a situação.

Frankreich Demonstration gegen die Homo-Ehe in Paris

Protesto na França contra o casamento gay, assunto que dividiu o país

Por esse motivo, a FRA defende que os policiais sejam mais bem treinados para lidar com a questão. Da mesma forma que alguns países tratam casos de agressão por motivos racistas, diz o estudo, deve-se acirrar a pena para casos de violência devido à orientação sexual.

Na Europa, em relação aos direitos de homossexuais e transgêneros, os precursores foram os países nórdicos, como Dinamarca e Suécia, e o Reino Unido. Ali, os políticos já implementaram alguns planos de ação.

O estudo aponta também que os políticos poderiam funcionar como um modelo, já que em países em que eles apoiam os homossexuais, os entrevistados se disseram menos discriminados. O estudo constatou, além disso, que a própria abertura que os LGBT têm diante do tema pode levar a uma maior aceitação: pessoas de todos os países, que assumiram abertamente sua orientação, disseram que sofriam menos discriminação do que as pessoas que não lidam abertamente com sua sexualidade.

Alemanha cobra respeito aos direitos humanos

O encarregado do governo alemão para assuntos de direitos humanos, Markus Löning, declarou em Berlim, nesta sexta-feira, que a discriminação e perseguição persistem em diversas partes do mundo.

Em mais de 70 países do mundo, disse Löning, a homossexualidade ainda é ameaçada com sanções legais, que vão de uma pena de reclusão de vários anos até a pena de morte. Assim, afirmou, o governo alemão exige de todos os Estados e governos que respeitem e protejam a universalidade e integridade dos direitos humanos

"Pessoas homossexuais, bissexuais, transexuais e intersexuais têm um direito a levar uma vida com dignidade e respeito à sua esfera privada, sem medo de violência ou represálias, discriminação ou perseguição judicial", afirmou Löning.

CA/dpa/afp/efe/epd

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