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Mundo

"Um dia a guerra civil está lá e ninguém sabe como começou"

Em 20 de março completam-se três anos de presença dos EUA no Iraque. Em entrevista à DW-WORLD, especialista em terrorismo fala sobre a ameaça de uma guerra civil no país.

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Atentados fazem parte do dia-a-dia no Iraque

DW-WORLD: Senhor Steinberg, como vê a atual situação de segurança no Iraque?

Guido Steinberg: A situação de segurança é catastrófica, e todos os sinais indicam que também nos próximos anos ela continuará altamente instável, assim como a política.

Alguns políticos do Iraque acreditam que o país já se encontra em guerra civil. O senhor concorda?

Não. Essas declarações partem do ex-primeiro-ministro Iyad Allawi. Ele se aproveita das circunstâncias para acentuar que o atual governo não é senhor da situação. Na minha opinião, não se pode falar em guerra civil enquanto o lado xiita – ou seja, o Conselho Supremo da Revolução Islâmica ou o movimento Sadr – não contra-atacar de forma organizada.

Então apenas um lado está travando uma guerra civil?

É claro que para uma guerra civil são precisos dois lados. E até agora as organizações xiitas em geral têm sido bastante reservadas. Entretanto, facções menores de suas milícias atacam mesquitas, seqüestram religiosos sunitas ou matam pessoas simplesmente por serem sunitas. Tal violência descontrolada é uma advertência. Isso também ocorreu em conflitos passados: o nível de violência cresce cada vez um pouquinho mais, até que a guerra civil está lá e ninguém sabe onde ela começou.

No tempo de Saddam Hussein havia segurança, mas não liberdade. Hoje é o inverso. Como o senhor vê a situação daquela época?

Não me agrada quando se representa a época de Saddam Hussein como uma fase segura para a população iraquiana. Isso ela certamente não foi. Havia segurança para uma pequena parcela da população totalmente leal ao regime. De resto, o regime de Saddam Hussein era antes totalitário do que autoritário.

Abdul Asis al Hakim, presidente do Conselho Supremo da Revolução Islâmica no Iraque, exigiu recentemente um diálogo com os norte-americanos sobre a situação no país. Tais conversações podem abrir novas chances para a estabilização do Iraque?

Não, não acredito. Os Estados Unidos são hoje parte integrante da elite política do Iraque. E quando um líder como Al Hakim conclama ao diálogo com os americanos é um tanto estranho. Ele fala constantemente com os embaixadores americanos no Iraque, fala com os militares. O diálogo existe, portanto. Tais conclamações são antes de tudo intrumentos da política interna.

Que possibilidade os EUA têm de assumir o controle da precária situação de segurança? E qual é o papel dos países vizinhos nesse contexto, em especial o Irã?

Não creio que os vizinhos sejam os principais reponsáveis pela situação no Iraque. Os movimentos rebeldes sunitas são fortíssimos. Eles dispõem de meios financeiros e armamentos no país, não estando exclusivamente dependentes do apoio do exterior. A solução está, portanto, dentro do país. Mas só haverá uma solução quando se integrar melhor as forças sunitas, tirando assim dos rebeldes seus simpatizantes e seu apoio. Trata-se naturalmente de um processo que ainda vai durar anos.

A formação de um governo de unidade nacional salvará o país de uma guerra civil?

Irak Bagdad Parlament konstituiert

Primeira sessão no novo parlamento iraquiano

Estou cético quanto a isso. A formação de um tal governo é sem dúvida correta, contanto que não se perca a capacidade de ação. Contudo, temo que esta seja justamente a meta de algumas forças sunitas no novo Parlamento. Portanto, mais uma vez cabe aos EUA cuidar do treinamento das forças de segurança iraquianas, de forma a poder dominar a situação.

Guido Steinberg atuou como especialista em terrorismo internacional na chancelaria federal alemã e trabalha na Fundação Ciência e Política em Berlim.

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