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Alemanha

Um caso de anti-semitismo filosófico?

Acusado de propagar o ódio aos judeus, o livro de um canadense é banido das prateleiras alemãs. Envolvidos no escândalo, o filósofo Habermas e a renomada editora Suhrkamp.

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Capa da edição alemã de 'After the terror'

“Os palestinos estão certos em olhar para trás, para a Alemanha fascista, e dizer que eles são os judeus dos judeus.”

Esta afirmação foi a gota d’água para a editora Suhrkamp: ela retirará de circulação a tradução do polêmico livro After the terror (Depois do terror), de Ted Honderich. Na internet, o autor canadense apresentou como sua a frase acima – que em seu livro aparece apenas como citação. Segundo a editora, com isso Honderich abandonou o plano onde se podem discutir conflitos controvertidos.

Apenas lançado em julho deste ano na Alemanha, Nach dem Terror. Ein Traktat está esgotado. Não deverá haver nova edição, e a Suhrkamp pretende devolver os direitos de publicação.

Uma publicação com antecedentes

Numa carta aberta, publicada pelo jornal Frankfurter Rundschau nesta terça-feira (04), Micha Brumlik, diretor do Instituto Fritz Bauer, de estudo e documentação sobre o Holocausto, chamara a atenção para o conteúdo anti-semítico da obra. Brumlik exigiu sua retirada imediata do mercado, pois justificaria o assassinato de civis judeus em Israel.

Em certa passagem do livro onde condena os eventos de 11 de setembro de 2001, Honderich afirma, por exemplo: “Por minha vez, não tenho dúvidas sérias (...) de que, com seu terrorismo contra os israelitas, os palestinos exerceram um direito moral”. O diagnóstico de Brumlik: “anti-sionismo anti-semita”.

Na opinião do especialista em Holocausto, as afirmações do filósofo canadense suplantam de longe tudo o que disse o recentemente falecido deputado Jürgen Möllemann. Brumlik chama também a atenção para o fato de a mesma Suhrkamp ser a editora do romance Morte de um crítico, de Martin Walser, igualmente acusado de anti-semitismo.

Golpe e contragolpe

Nach dem Terror. Ein Traktat foi lançado com uma tiragem de dois mil exemplares, como parte da série comemorativa 40 Jahre edition suhrkamp, e sob recomendação de Jürgen Habermas. O filósofo desculpou-se pela própria “falta de consideração”, porém defendeu o panfleto de Honderich das acusações de seu “amigo Brumlik”. Segundo Habermas, somente “extraídas do contexto e contra a intenção do autor” algumas frases permitem “ser empregadas para fins anti-semíticos”.

O debate promete agitar círculos cada vez mais amplos. Nesta sexta-feira, Ted Honderich respondeu com indignação ao ataque do diretor do Instituto Fritz Bauer. Uma prova de que After the terror não se trata de um escrito contra os judeus seria o fato de haver sido publicado pela University of Edinburgh e a Columbia University New York e pela respeitada Suhrkamp. Só alguém pertencente ao “Novo sionismo” poderia tirar uma tal conclusão, afirmou Honderich.

Segundo suas próprias palavras, o escritor canadense já foi casado com uma judia e recusa-se a dar palestras na Alemanha, justamente por causa do Holocausto.

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