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Cultura

Um cartunista brasileiro na Alemanha

Crítica e humor. Essas duas palavras marcam o trabalho do cartunista brasileiro Koostella. Vivendo há quase dois anos na Alemanha, ele expressa em seus desenhos aspectos da vida nesse país.

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Acostumado a registrar o que se passa ao seu redor com interpretações às vezes críticas, às vezes hilárias, ou ambas, o cartunista brasileiro não pode deixar de expressar as situações que observa no novo país.

O artista tem abordado, por exemplo, características de Freising, na Baviera, onde mora. Na série que ele chama de qu4tro por quadro, e que publica na Puccine, uma revista cultural da cidade, faz sátiras sobre a vida local.

Koostella também tematiza aspectos da vida de imigrante. Convivendo com vários estrangeiros na Alemanha e mostrando acontecimentos que ele próprio vivenciou, o tema é parte da sua vida atual. Ao tratar do assunto, o lado crítico, muitas vezes, sobressai, gerando polêmica.

O cartunista conta que existem diferenças entre o humor brasileiro e o alemão. "O brasileiro faz piada de si mesmo e tem um humor mais negro. O alemão ri de outras coisas, às vezes sem graça para o Brasil", conta Koostella.

Além desta diferença, de importância fundamental para o trabalho de um cartunista, outra barreira que ele encontra é a língua: mesmo que uma das características do cartum seja a presença de pouco texto, Koostella diz que ainda não se sente totalmente seguro para escrever em alemão.

Brincando com estereótipos

Diferentiras é outra série de cartuns na qual Koostella está trabalhado atualmente. Nela, ele brinca com as diferenças culturais, não só entre o Brasil e a Alemanha, mas entre diversos países. "Nesta série eu não faço críticas pessoais, eu somente mostro os estereótipos de cada cultura."

Diferentiras 2

Estes estereótipos, porém, não deixam de ser verdade, e por isso mesmo as tiras se tornam divertidas. Elas são publicadas regularmente na Brazine, uma revista brasileira para a Alemanha, Áustria e Suíça, editada em Berlim.

A carreira

Koostella é o nome artístico do brasileiro Fernando Lopes de Souza, de 25 anos. O cartunista adotou o apelido pelo qual é conhecido entre os amigos desde a infância, para assinar seus desenhos.

Ele conta que aprendeu a desenhar sozinho, como é comum nessa profissão. Já na escola, começou a vender seus primeiros trabalhos, um fanzine chamado Tonhonhóim, por 50 centavos.

Koostella

Fernando Lopes de Souza, o cartunista Koostella

Mais tarde, ele ingressou na Faculdade de História, na Universidade Federal de Santa Catarina, onde fez parte do Diretório Central dos Estudantes, para o qual fazia ilustrações. Foi quando o convidaram para ministrar uma oficina de cartum na universidade. "Somente aí é que fui começar a pensar como se faz desenho", ele conta. E então descobriu que queria se dedicar somente aos desenhos e abondonou a faculdade.

Ainda no Brasil, fez trabalhos variados: ilustrou livros infantis e didáticos, deu aula de desenho, publicou cartuns em jormais brasileiros, e por fim, um livro de tirinhas chamado Quem é Toniolo?, onde tenta desvendar a lenda do pichador Toniolo, que escreve seu nome por toda a capital gaúcha há 30 anos. Além disso foi premiado em concursos nacionais e internacionais de cartum.

Reflexão política

"Eu gosto de mostrar a minha indignação com injustiças e a ignorância, e de fazer as pessoas pensarem", diz Koostella.

O senso crítico o levou a participar do Fórum Social Mundial (FSM), um encontro para reflexão sobre alternativas para a globalização, realizado quatro vezes em Porto Alegre, desde 2001. Ele expôs nesse encontro, junto com outros profissionais do ramo, integrantes da Grafar (Grafistas Associados do Rio Grande do Sul), uma associação de desenhistas que têm como objetivo o intercâmbio de idéias sobre desenho.

Pancadanovo

Cartum exposto no FSM

Em 2004, Koostella teve a iniciativa de expor, na Alemanha, os melhores cartuns do FSM. A exposição foi realizada em Munique e Freising. "Os alemães ficaram 'de cabelo em pé' com a liberdade crítica dos cartuns brasileiros, principalmente os voltados ao governo americano", comenta.

Mais popularizado no Brasil

Koostella conta que no Brasil o cartum é mais popularizado, pois as pessoas são mais visuais. Existem jornalistas que, ao invés de escreverem um artigo político, publicam um cartum no jornal, acrescenta.

Ele diz que os cartuns publicados em jornais alemães não têm o humor picante dos brasileiros. Muitas vezes eles só ilustram uma matéria, recontando-a em desenho. "Os alemães são mais conservadores, não abrem mão do trabalho com aquarela. Os brasileiros já adotaram o trabalho digitalizado."

Apesar da popularidade do cartum, o desenhista conta que é dificil sobreviver só dos desenhos. "Na Alemanha os artistas são melhor remunerados, mas o campo de trabalho é mais limitado."

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