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Mundo

Um balanço da era Putin

Vladimir Vladimirovitch Putin esteve oito anos à frente da Federação Russa. E agora pretende ser o primeiro-ministro de "seu" candidato, o favorito Medvedev. O início de uma terceira "era Putin"?

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Imagem de homem de ação

Durantes oito anos, ele trabalhou de manhã até a noite, como um escravo, afirmou Vladimir Putin em sua última coletiva de imprensa no Kremlin, diante de 1.300 jornalistas. Porém nunca foi obcecado pelo poder. E acrescentou, orgulhoso: nestes dois mandatos alcançou todas as metas a que se propusera.

Posse surpreendente

De forma inesperada, Putin assumiu o cargo de presidente da Rússia em 31 de dezembro de 1999, após a renúncia de seu antecessor, Boris Ieltsin. Em março do ano seguinte, foi então eleito com 52,9% dos votos. Após anos de escândalos e caos econômico, sua presidência se iniciava sob o signo do recomeço e da esperança de estabilidade.

O primeiro mandato foi dedicado às reformas internas, enquanto o Ocidente observava, cético. Putin cuidou para que o Kremlin voltasse a ditar a política interna e criou a assim chamada "vertical do poder". Para tal, cortou atribuições das regiões, e mais tarde também dos governadores.

Diversas oligarquias caíram em desgraça. Segundo a visão do senhor do Kremlin, elas haviam se imiscuído ilicitamente na política, aproveitando-se de seu poder midiático. Iniciadas as investigações, alguns dos acusados, entre os quais Boris Beresovski, escaparam para o exílio.

Kursk e Dubrovka

Logo o presidente receberia seu primeiro golpe. Em agosto de 2000 o submarino nuclear Kursk naufragava, jazendo durante vários dias no fundo do Mar de Barents (Ártico), com 23 tripulantes a bordo. No fim, ninguém sobreviveu ao acidente.

A Marinha encobriu o drama e Putin estava de férias em Sotchi. Só tarde demais visitou o local da tragédia, e na ocasião os parentes das vítimas o acusaram de desinteresse e inércia.

O conflito na Tchetchênia foi outro pesado ônus para a era Putin, cobrando cada vez mais feridos e mortos do lado das Forças Armadas russas. O presidente optou desde logo pela linha dura, armado do argumento do combate ao terrorismo. A população se mostrava cada vez mais cansada da guerra civil e as notícias sobre atos de crueldade dos soldados russos se acumulavam.

Uma reviravolta ocorreu em outubro de 2002, quando terroristas chechenos fortemente armados invadiram o Teatro Dubrovka, em Moscou, tomando como reféns centenas de espectadores.

O presidente demonstrou dureza implacável, mandando invadir o prédio. Todos os rebeldes foram mortos, assim como diversos reféns. Em seguida, cuidou para estabelecer um governo fiel a Moscou na capital tchetchena, Grosny.

Rússia como potência mundial

Em março de 2004 Vladimir Putin assumiu mais uma vez, agora fortalecido pelo voto de confiança de 71,3% dos eleitores. Este segundo mandato seria ditado por uma ambição na política externa: reconquistar para a Rússia o estatuto de potência mundial.

Moscou se posicionava de forma cada vez mais negativa em relação aos Estados Unidos e ao Ocidente. Este, por sua vez, encarava com ceticismo cada vez maior a forma brutal como a Rússia lidava com a oposição e com a imprensa crítica.

Na Alemanha a polêmica culminou, em setembro de 2004, num ácido debate público sobre a concessão, pela Universidade de Hamburgo, de um título de doutor honoris causa a Putin. Após maciços protestos, desistiu-se da distinção. Entretanto, o então chanceler alemão Gerhard Schröder aferrou-se à amizade com o presidente russo, segundo ele, um "democrata puro-sangue".

"Democracia dirigida"

Aquele mesmo mês marcou o drama dos reféns em Beslan: para os sobreviventes, um trauma até hoje, para a presidência de Putin, uma séria mácula. O Estado russo foi responsabilizado por falhas na mobilização das Forças Armadas, que acabaram custando centenas de vidas, especialmente de crianças.

Neste meio tempo, aumentavam as restrições à liberdade de imprensa. O assassinato da jornalista Anna Politkovskaia em outubro de 2006 – até hoje não esclarecido – constituiu um lamentável ápice.

Para fora, o presidente afirmava conduzir seu país pelo caminho da democracia. No interior, cuidava para que o poder continuasse concentrado no Kremlin. A expressão "democracia dirigida" tornou-se sinônimo da política de Putin.

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