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Cultura

Um ano exemplar para o cinema alemão

Após um longo silêncio, o cinema alemão está definitivamente de volta. Com bons roteiros e atores de qualidade levando o público de volta aos cinemas, 2004 foi um ano especial para a indústria cinematográfica nacional.

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Fatih Akin: troféu de «Melhor Filme» do Prêmio Europeu de Cinema de 2004

Cinéfilos conhecem nomes como R. W. Fassbinder, Wim Wenders, Fritz Lang, Werner Herzog e Billy Wilder. Afinal, eles compõem o pódio do cinema alemão – o ponto alto de uma tradição que muitos acreditavam ser coisa do passado.

Público e crítica pareciam estar diante de um longo e doloroso declínio do cinema nacional. Filmes, claro, continuavam a ser feitos, mas ninguém ia vê-los e, ignorados em casa, recebiam pouca atenção da comunidade internacional.

Mas isso mudou e a indústria cinematográfica alemã comemora um 2004 cheio de sucessos. "Foi um dos melhores anos da última década", disse Johannes Klingsporn, diretor geral da Associação Alemã dos Distribuidores de Filmes, ao semanário Der Spiegel.

Só nos primeiros nove meses de 2004, houve um aumento de público de 12,7% em relação ao ano anterior. Além disso, neste ano, as salas de cinema alemãs registraram um aumento de 10% na venda de bilhetes em relação a 2003.

"Diante de tal situação econômica, parece que realmente deixamos para trás a depressão dos últimos anos", disse Peter Dinges, do Instituto de Fomento ao Cinema (FFA), ao Spiegel. Segundo ele, 2004 foi o segundo ano de maior sucesso para o cinema alemão desde a queda do Muro de Berlim em 1989.

Concorrência americana

O mais bem-sucedido filme alemão em 2004 foi (T)Raumschiff Surprise, Periode 1, uma paródia à série de ficção científica Jornada nas Estrelas, dirigida e protagonizada pelo comediante Michael Herbig, conhecido como Bully. Com 9,2 milhões de ingressos vendidos, o filme ficou atrás apenas do terceiro episódio da saga O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei.

Szenenbild aus Traumschiff Surprise - Periode 1

Cena de «(T)Raumschiff Surprise, Periode 1»

Segundo a FFA, 23,5 milhões de pessoas assistiram a filmes alemães nos primeiros noves meses de 2004, o que corresponde a um porcentual de mercado de 20,7%, o maior desde que a instituição começou a coletar os dados em 1995.

E mesmo que filmes americanos como Homem-Aranha 2 ou a última aventura de Harry Potter ainda representem a maior demanda nas salas de cinema do país, a contribuição alemã em Hollywood também aumentou consideravelmente neste ano. Dois grandes sucessos de público foram dirigidos por alemães, como Tróia, de Wolfgang Petersen, e O dia depois de amanhã, de Roland Emmerich.

"Ingênuo e divertido"

As novas produções ajudam a derrubar a imagem de "sérios e inacessíveis", com a qual filmes alemães são normalmente rotulados. Além do bom humor de (T)Raumschiff Surprise, os novos diretores abordam temas contemporâneos da sociedade alemã, como a imigração turca em Gegen die Wand (Contra a Parede), vencedor do Prêmio Europeu de Cinema de 2004.

Filmszene - Der Untergang

Cena de «A Queda», com Bruno Ganz no papel de Hitler

Além disso, o filme Die fetten Jahre sind vorbei (Acabaram-se os anos gordos), de Hans Weingartner, marcou a volta de um filme alemão à competição do Festival de Cannes após uma ausência de 11 anos.

"A nova geração de cineastas alemães encontrou um jeito próprio de encarar a história alemã e a vida cotidiana de um modo ingênuo e ao mesmo tempo divertido", disse Dinges. Mesmo temas como o nazismo ganharam novo tratamento. Um dos filmes mais controversos e polêmicos do ano foi Der Untergang (A Queda), que atraiu mais de 4,2 milhões de pessoas interessadas em assistir a uma interpretação dos últimos dias de Hitler em seu bunker.

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