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Alemanha

Um ano de vaca louca na Alemanha

Após consumo de carne cair inicialmente 60%, fregueses voltam a confiar em produtos oferecidos nos supermercados e açougues. Mas casos de BSE continuam surgindo e cientistas pouco avançaram nas pesquisas sobre a doença.

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124 casos de vaca louca foram identificados nos últimos 12 meses na Alemanha

Foi em 24 de novembro de 2000 que descobriu-se o primeiro caso de vaca louca na Alemanha. A notícia chocou os consumidores do país, que sempre confiaram na qualidade de seus produtos. O consumo despencou imediatamente. As vendas de carne bovina caíram 60%. Dois ministros perderam seus cargos; muitos pecuaristas viram todo seu rebanho ser exterminado. Somente no setor agropecuário, os prejuízos somam quase um bilhão de dólares em 12 meses, segundo a Federação Alemã dos Agricultores. Acrescente-se à conta as inúmeras demissões na indústria de alimentos.

A crise fez o governo Schröder mudar radicalmente sua concepção no setor de alimentos. O Ministério da Agricultura não só teve seu titular mudado, como sua prioridade de ação e seu nome. Com a nomeação de Renate Künast, do Partido Verde, o órgão passou a ser chamado de Ministério da Defesa do Consumidor, da Alimentação e da Agricultura, numa evidência de que os interesses dos consumidores passavam a ser mais importantes do que o dos produtores.

Reação rápida – Künast agiu de imediato, proibindo o uso de farelo animal como ração, antes mesmo de a União Européia se pronunciar a respeito. Sem controle da origem dos restos de carne utilizados em seu preparo, o produto era um dos meios de contágio da doença BSE. O aproveitamento de ossos e cérebro igualmente foi terminantemente proibido.

Além do mais, implantou a obrigatoriedade de se realizar teste de BSE em todo boi abatido com mais de 24 meses de idade. Até hoje, cerca de 2,4 milhões de exames foram realizados; 124 casos de vaca louca foram identificados, os dois últimos em animais de quatro e seis anos, na Baviera e em Hessen, no dia 15 de novembro.

Na Grã-Bretanha, desde a década de 80, o contágio atingiu, comprovadamente, mais de 180 mil cabeças de gado. Ao lado da Alemanha, Portugal, Suíça e França igualmente registram grande incidência da doença. Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Irlanda, Itália, Espanha e Dinamarca também não escaparam.

Consumo em alta – Passados 12 meses, supermercados e açougues vêem seus fregueses perderem aos poucos o medo. Uma pesquisa de opinião do instituto Dimap revela que 30% dos consumidores não verificam mais a origem da carne que compram. Somente 41% ainda mantêm a prática. Quatro por cento afirmam que jamais se preocuparam com tal informação. Permanece significativa, porém, a fatia daqueles que continuam deixando a carne bovina longe do cardápio: 25%.

Se por um lado, os produtos bovinos vão reconquistando a confiança, por outro os avanços científicos sobre a vaca louca engatinham, sobretudo a respeito das formas de contágio.

"Nós identificamos BSE em animais que nasceram em 1996 e 1997 e foram alimentados com misturas de leite e farelo animal. Como o uso do farelo só foi proibido no fim do ano passado, temos de considerar que ainda surgirão casos da doença nos próximos cinco anos. Mas depois ela não estará erradicada, como podemos ver na Suíça. Lá há casos de reses que não foram alimentadas com farelo e mesmo assim tiveram exame positivo de BSE", observa a ministra Künast.

Solução ainda distante – As esperanças de aperfeiçoamento dos métodos de testes também não se concretizaram até o momento. Ainda não se pode verificar se um animal vivo está doente, nem mesmo nos mais jovens após abatidos.

"Temos de continuar alertas, mas todas as medidas que podíamos tomar para minimizar os riscos, dentro dos atuais conhecimentos científicos, estão em vigor. Ou seja, os consumidores podem analisar com tranqüilidade se a opção de assado de carne em seu cardápio de Natal", assegura a ministra verde.

No entanto, ela admite que ainda está distante o fim das "fábricas agropecuárias", como o chanceler federal, Gerhard Schröder, chamara o sistema de produção de carne do país no início da crise. O governo está estimulando as chamadas fazendas ecológicas, onde os animais nascem, crescem e vivem naturalmente, e não trancafiados.

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