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Economia

Um ano de UE dos 25: um balanço desigual

A Europa ampliada com os países do Leste é mais dinâmica e inquieta do que a antiga. Porém as tensões econômicas e sociais são extremas, assim como os preconceitos. Chegou a hora de a UE parar de crescer?

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Europa ampliada: euforia e hesitação

Na capital da União Européia, Bruxelas, tudo ficou um pouco maior, mais colorido e mais confuso desde a ampliação do bloco, em maio de 2004. Apesar da babélica multiplicidade lingüística e das mesas de conferências e listas de oradores cada vez mais longas, a UE dos 25 funciona, pelo menos no dia-a-dia burocrático. Nota-se que muitos dos novos Estados vêem, antes de tudo, seus comissários como embaixadores dos próprios interesses nacionais. O clima de coleguismo e a rapidez das decisões dentro do grêmio certamente sofreu com a ampliação.

Mas, por outro lado, os novatos trazem dinamismo, rebelando-se contra a lentidão e inércia da eurocracia. Eles lamentam sobretudo a demora no recrutamento de pessoal vindo dos novos países do Leste. Um tópico em que grande parte da responsabilidade cabe à Alemanha e à França. As duas contornam, por exemplo, a diretriz de prestação de serviços, que garantiria ao novos membros melhores chances para seus cidadãos.

Hora da verdade

Porém a verdadeira prova de fogo virá com as negociações das verbas para os anos 2007 a 2013. Os países do Oeste Europeu, responsáveis pelas maiores contribuições líquidas, querem enxugar o orçamento. Em contrapartida, os grandes subvencionados do Sul do continente não pensam em renunciar aos benefícios a que se acostumaram.

Além disso, os Estados mais pobres do Leste Europeu exigem maiores auxílios para a estrutura e construção, no que recebem o apoio da Comissão Européia. Esta pretende elevar o orçamento em um terço, em face às ampliações ainda em perspectiva. Enfim, um beco sem saída, do qual será necessário achar a saída até o fim de junho.

Achando bodes expiatórios

O balanço dos novos afiliados é desigual: sua economia cresce mais rápido do que a dos antigos membros, porém ainda levará anos ou décadas até que seja superado o abismo de bem-estar econômico e social que separa as duas realidades. O primeiro-ministro da Hungria, Ferenc Gyurcsany, define assim a situação: "Todas as expectativas foram preenchidas – mas porque eram tão modestas."

Na Alemanha e França há uma grande preocupação de que se transforme a UE e a ampliação em bodes expiatórios. Claro que, isoladamente, as exigências mais baixas dos operários dos países do Leste provoca um certo dumping salarial. Porém não há como se falar numa ampla invasão de mão-de-obra barata.

Responsável pelo desemprego na Alemanha não é ampliação da UE, mas sim uma série de problemas estruturais. A própria economia alemã admite haver lucrado com o crescimento das exportações para os novos países-membros da UE. A transferência de parques de produção para o Leste é superestimada. Além disso, já antes da ampliação os salários e preços na Polônia, Lituânia e outros já vinham crescendo continuamente. Em alguns anos, estes certamente não mais serão países de mão-de-obra barata.

Hora de parar?

O fato é que se alastra pela Europa uma frustração e um cansaço de expansão difíceis de explicar. A Romênia e a Bulgária já foram recebidas sem muito entusiasmo, e a entrada da Croácia e Turquia são subordinadas a obstáculos cada vez mais intransponíveis.

É possivel que se venha a constatar que a União Européia se superexpandiu, e que não é mais capaz de lidar com as conseqüências econômicas e sociais desse fato. Um ano após a ampliação em estilo "big bang", com a inclusão de mais 74 milhões de cidadãos europeus, é uma tarefa árdua explicar por que ainda se deve aceitar os membros número 26 a 31. Chegou a hora de iniciar um debate honesto sobre as fronteiras da Europa e a velocidade de sua expansão.

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