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Mundo

Um anjo da paz em Berlim?

Em visita a Berlim na sexta-feira (16), Colin Powell vai se encontrar com Gerhard Schröder e Joschka Fischer. Têm fundamento as expectativas de que essa visita possa contribuir para uma distensão nas relações bilaterais?

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O secretário de Estado norte-americano

Os mais otimistas crêem numa renascença nas atualmente gélidas relações entre a Alemanha e os Estados Unidos. Afinal, o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, que visita a capital da Alemanha na sexta-feira (16), é tido como o mais moderado membro do governo George W. Bush. Ele nunca aderiu ao coro dos ataques aos países da "Velha Europa" por sua posição contrária a uma intervenção militar no Iraque e suas tentativas diplomáticas de conter o avanço das tropas aliadas para derrubar o regime de Saddam Hussein.

E, mal terminada a campanha militar, Powell foi o primeiro a levantar a voz e referir-se aos alemães e franceses, demonstrativamente, como amigos: "Estamos trabalhando juntos com todos os nossos amigos, a França, Alemanha, Rússia e China e os membros eleitos do Conselho de Segurança. Seja lá o que for que tenha acontecido, isso faz parte do passado. Não estamos falando da guerra e sim da paz e de como ajudar à população no Iraque."

Considerações estratégicas e interesses econômicos

Que os atritos entre Alemanha e Estados Unidos no setor político atingiram proporções graves, é uma questão incontestada. Para o social-democrata Hans-Ulrich Klose, uma autoridade em política externa, as relações entre o chanceler federal Gerhard Schröder e o presidente George W. Bush não estão apenas perturbadas mas sim "deterioradas" e dificilmente podem ser restauradas.

Mas os norte-americanos ainda precisam da Alemanha, seja nas Nações Unidas, onde defendem a suspensão das sanções contra Bagdá, seja na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), para conseguir impor o plano de constituir uma tropa de paz armada a ser estacionada no Iraque para garantir a estabilidade no pós-guerra.

Ainda que a Alemanha não tenha a mesma importância estratégica que nos tempos da Guerra Fria, o país pode desempenhar um papel significativo quando se trata de conseguir aliados, graças aos bons relacionamentos que mantém com a França e a Rússia, por exemplo.

Além disso, os interesses econômicos têm grande peso. Neste setor, aliás, Jürgen Schrempp, o presidente do conglomerado DaimlerChrysler, considera as relações bilaterais "intactas". Uma avaliação que é endossada pelo historiador norte-americano Gerald Livingstone, para quem "o comércio, os investimentos de grandes empresas americanas na Alemanha ou de grandes empresas alemãs como a Siemens, a DaimlerChrysler e a BASF nos EUA são uma garantia para os conflitos políticos não irem longe demais".

Bom diplomata mas isolado

Colin Powell conhece a Alemanha dos tempos em que comandava a 5ª corporação das tropas norte-americanas em Frankfurt. Naquela época, era responsável pela defesa os alemães no contexto da Guerra Fria. Hoje sua função é defender a supremacia dos Estados Unidos no mundo. Como militar e diplomata, ele colocou seus préstimos à disposição de quatro presidentes: Ronald Reagan, Jimmy Carter, Georg Bush o pai e agora o filho.

Sua atuação como chefe da diplomacia é irrepreensível e, nas pesquisas de popularidade, ele ganha de George W. Bush. Mas, diante da vitória no Iraque, os neoconservadores em torno do vice-presidente Cheney e do secretário da Defesa Rumsfeld ganharam em influência. "Powell está praticamente isolado neste governo", afirma Livingstone.

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