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Cultura

Um achado literário de mais de 800 anos

Fragmentos da "Canção dos Nibelungos", uma secular "história de assassinato, vingança, ódio e traição", estavam esquecidos dentro de duas caixas, num mosteiro austríaco.

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Personagem da saga do Nibelungos, na cidade de Worms

Tamanho não é documento: o maior dos pedacinhos de pergaminho mede apenas três por oito centímetros. Mas não é apenas sua idade – superior a 800 anos – que leva os peritos a falar numa sensação histórica, arqueológica e literária: os fragmentos contêm trechos da importante saga germânica Canção dos Nibelungos, datando do século 12. Os registros mais antigos, conhecidos até agora, provêm do ano 1220.

A descoberta deu-se no Mosteiro de Zwettl, situado 120 quilômetros a noroeste de Viena. Segundo a historiadora de arte Charlotte Ziegler, "os escritos estavam em duas caixas, sabe-se lá há quanto tempo, juntamente com outros fragmentos antigos". Em meio a uma variada coleção de textos litúrgicos, literários e jurídicos, dos séculos 12 a 15, a arquivista do mosteiro descobriu as sensacionais tirinhas de pergaminho.

Os cinco fragmentos mais legíveis mencionam o bispo Pilgrim (971-991), da cidade de Passau. Este encomendara um manuscrito da Canção dos Nibelungos, atualmente desaparecido. Há também menção a Swammerole, trovador de Etzel, rei dos hunos, encarregado de divulgar o sangrento drama de heróis. Ao contrário de versões posteriores, os textos em questão foram redigidos em prosa. "Possivelmente trata-se do registro de uma narrativa oral", avalia Ziegler.

O co-fundador do Mosteiro Zwettl Hadmar von Kuenring II era amigo e parente do bispo Wolfger, havendo se hospedado diversas vezes no mosteiro, durante suas excursões de caça. Charlotte Ziegler acredita ser a explicação para a existência de um manuscrito da saga heróica na região.

Lenda e história

As 2400 estrofes da Canção dos Nibelungos formam a mais importante saga medieval alemã, provavelmente fixada em forma escrita entre 1198 e 1204, por ordens do bispo Wolfger (1191-1204), de Passau. Os diversos episódios isolados – tratando do nobre guerreiro Siegfried, seu assassínio e da vingança de sua esposa Kriemhild – são bem mais antigos, remontando ao período das migrações das nações germânicas, entre os séculos 4 e 6.

Esta saga tem papel vital na cultura germânica. Dentre suas inúmeras adaptações literárias e teatrais, a mais conhecida é possivelmente a tetralogia operística O Anel do Nibelungo, do compositor Richard Wagner (1813-1883). O regime nazista também apoderou-se dos motivos heróicos contidos na Canção, reinterpretando-os segundo seus interesses.

O exemplar da história dos Nibelungos preservado em Zwettl fora recortado, e os pedaços de pergaminho, utilizados para reforçar a lombada de outros manuscritos preciosos. Num certo ponto, os fragmentos se descolaram, indo parar nas duas caixas e caindo no esquecimento. Os textos alusivos à saga, uma "narrativa de assassinato, vingança, ódio e traição", já foram publicados para os filólogos, e germanistas ocupam-se da interpretação precisa dos textos.

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