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Alemanha

UE sai perdendo de Johanesburgo

O vago consenso na questão das energias renováveis representa uma derrota da União Européia, que propusera um cronograma com metas concretas.

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Ministro alemão do Meio Ambiente em Johanesburgo

Os delegados da União Européia mantiveram até o último instante a esperança de conseguir maioria para sua proposta: aumentar em 15% até 2010 a cota de fontes renováveis na produção mundial de energia. Mas o lobby dos EUA e da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), apoiados por Canadá, Japão e Austrália, foi mais forte. O que se aprovou foi um consenso aguado, que estabelece apenas o "aumento substancial urgente" da cota das energias chamadas alternativas. Quanto e até quando são dados que não constam do plano de ação.

"Foi uma clara vitória dos americanos, dos sauditas, da OPEP e de todos os que são contra uma mudança global no setor da energia em favor de um desenvolvimento sustentável. Este foi o pior desfecho possível", na opinião de Steve Sawyer, representante do Greenpeace em Johanesburgo.

Consenso nas críticas das ONGs

Há unanimidade na avaliação das ONGs deste ponto crucial da Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

A presidente da Liga Alemã de Proteção à Natureza (BUND), Angelika Zahrnt, fala de um "dia negro para o clima". O consenso sobre a política energética é "um retrocesso, um programa para o fomento da mudança climática".

"Cúpula do mínimo denominador comum" é como Reinhard Hermle, presidente da Associação Alemã de Política Desenvolvimentista (VENRO), classifica a Conferência de Johanesburgo. Em sua opinião, em vez dos visionários, ganharam os contabilistas dos interesses dos Estados nacionais.

Para Hubert Weinzierl, que preside a confederação das ONGs ambientalistas da Alemanha, com mais de 5 milhões de associados, foi um choque que os europeus não tenham conseguido impor sua reivindicação. "Perdemos por 1 a 0 contra os dinossauros EUA e OPEP", afirma, conclamando ao mesmo tempo a UE a adotar uma posição de liderança e pioneirismo nesta questão.

Unanimidade revela-se também na avaliação do empenho do governo alemão, que "lutou como um leão", nas palavras de um ambientalista alemão participante da Conferência. Ganhou elogios também o anúncio do chanceler federal Gerhard Schröder de convocar uma conferência internacional sobre fontes renováveis de energia, a realizar-se na Alemanha.

Ministro satisfeito

Jürgen Trittin, ministro do Meio Ambiente, admite que "teria preferido mais", mas considera ainda assim a Conferência de Johanesburgo um "sucesso para a proteção do meio ambiente". "Não se pode, por estar decepcionado, perder a realidade de vista", acrescentou.

Trittin enumera como positivos o consenso sobre a meta de reduzir à metade até 2015 o número de pessoas sem acesso à água e, sobretudo, a perspectiva de ratificação do Protocolo de Kyoto por parte da Rússia e o Canadá. Com a adesão da Rússia, responsável por cerca de 17% do dióxido de carbono emitido no mundo, estariam preenchidas as condições para que o acordo assinado no Japão em 1997 entre em vigor. Valerá então o compromisso dos países industrializados de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa em média 5,2% até o ano 2012, em relação aos valores registrados em 1990. Com ou sem participação dos EUA.

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