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Mundo

UE saúda novo presidente português

Vitória da oposição conservadora em eleições presidenciais causa nova guinada política em Portugal. Para esquerda, trata-se de derrota dupla. União Européia considera resultado positivo à consolidação do país no bloco.

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Será o fim de tempos difíceis?

O instável cenário político português sofreu novas mudanças neste domingo (20/11) com a eleição de Aníbal Cavaco Silva à presidência do país. Com isso, os portugueses elegeram o ex-chefe de governo diretamente no primeiro turno, com 50,6% do total de votos. Nove milhões de portugueses foram às urnas, o que representa uma participação de 62,6% dos eleitores no pleito.

Jose Manuel Barroso EU Pressekonferenz in Brüssel

Barroso: resultado aproxima país da UE

O presidente da Comissão Européia, o também português José Manuel Durão Barroso, parabenizou seu compatriota e lhe desejou muito sucesso. "A eleição de Cavaco Silva reforça a inclinação européia de Portugal", argumenta, lembrando que era Cavaco Silva quem governava o país quando este ingressou ao bloco há 20 anos.

Mas, para o jornal lisboeta Diário de Notícias, "Portugal está diante de uma nova constelação política e o novo governo terá tempos difíceis".

Dupla derrota para os socialistas

A volta de Cavaco Silva ao Palácio de Belém, sede da presidência portuguesa às margens do Rio Tejo, é a segunda derrota política em Portugal em menos de um ano. Nas eleições parlamentares de fevereiro de 2005, os eleitores derrubaram o governo de centro-direita de Pedro Santana Lopez, concedendo maioria absoluta ao socialista José Sócrates, o atual primeiro-ministro.

A vitória dos conservadores significa uma derrota dupla para a bancada socialista. Por um lado, é a primeira vez que um político de centro-direita é eleito para o cargo desde a histórica Revolução dos Cravos, com que Portugal pôs fim à longa ditadura militar em abril de 1974.

Portugal Präsident Wahlen Manuel Alegre

Manuel Alegre, candidato independente

Por outro, foi catastrófico o resultado obtido por seu candidato oficial, Manuel Soares – ele obteve menos votos (14,3%) que seu colega Manuel Alegre (20,7%), que concorreu como candidato independente contra a vontade do partido.

Segundo o Diário de Notícias, para Soares "o resultado foi especialmente horrendo. O ex-presidente mostrou enorme vontade de lutar, mas teve que reconhecer que seu tempo passou".

Portugal Präsident Wahlen Mario Soares

O ex-presidente Mário Soares: fim de carreira?

Soares congratulou Cavaco Silva pela vitória, com quem travara uma acirrada disputa política durante as décadas de 80 e 90. O ex-presidente, o socialista Jorge Sampaio, não pôde concorrer após dois mandatos no cargo.

"O salvador da pátria"

Cavaco Silva, único de centro-direita de todos os seis candidatos inscritos, foi primeiro-ministro de Portugal entre 1985 e 1995, período de maior estabilidade política da história recente portuguesa, durante o qual o país obteve um crescimento econômico de 5%. Na época, ficou famoso por seu estilo autoritário e arrogante – defeitos que se esforçou em dissimular durante esta campanha.

Portugal Präsident Wahlen Anibal Cavaco Silva

Cavaco Silva: de arrogante a salvador da pátria

"Eu nunca erro e raramente hesito", teria dito o professor de Economia, hoje com 66 anos de idade. Em seu último mandato, mostrou-se imune a críticas e manteve seu severo curso de reformas e privatizações, indiferente a greves e protestos.

Para o jornal milanês Corriere della Sera, "os eleitores encaram Cavaco Silva como o salvador da pátria, que trará uma atmosfera de confiança a um país no qual reina o pessimismo. Em apenas quatro anos, a grave crise econômica portuguesa dobrou o número de desempregados e, face a isso, os portugueses elegeram um especialista econômico para a presidência".

Parlamento não será dissolvido

Em campanha, Cavaco Silva prometeu não dissolver o parlamento e cooperar com o governo do premiê socialista José Sócrates, que garantiu seu apoio ao novo chefe de Estado. Embora o poder do presidente da República seja limitado na estrutura política portuguesa, Cavaco Silva prometeu mudanças.

Um dos pontos centrais de seu governo será a maior integração com a União Européia (UE), condição que julga essencial para a estabilidade política. Nos últimos quatro anos, Portugal teve quatro premiês diferentes e taxas de crescimento sempre inferiores à média européia.

Outras metas são a redução do déficit orçamentário e a retomada do crescimento da estagnada economia. Portugal é hoje o país mais pobre da Europa Ocidental, com um déficit duas vezes superior ao permitido pela UE.

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