UE rejeita enviar soldados à República Democrática do Congo | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 31.10.2008
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Mundo

UE rejeita enviar soldados à República Democrática do Congo

União Européia opta por solução diplomática para resolver o conflito entre rebeldes e tropas governamentais na República Democrática do Congo. Ministros francês e britânico embarcam para o país africano.

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Conflito obrigou milhares de pessoas a deixar as suas residências no leste do país

A União Européia não enviará tropas para a República Democrática do Congo e optará pela busca de uma solução diplomática para o conflito no leste do país africano. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (31/10) pelos 27 países-membros após uma reunião em Bruxelas e contraria a vontade da França, que ocupa a presidência semestral rotativa do bloco.

"No nosso ponto de vista, a prioridade é uma solução política e um rápido destensionamento da situação humanitária no país", disse o porta-voz do Ministério alemão das Relações Exteriores, Jens Plötner. Também o Ministério alemão da Defesa descartou o envio de tropas européias à República Democrática do Congo.

Para a França, a decisão é temporária e o envio de soldados no futuro não está descartado, disse um diplomata francês em Bruxelas à agência de notícias AP. Foi o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, quem propôs uma solução militar para o conflito. Ele falou em 1,5 mil soldados.

Massacre

Kouchner e o seu colega britânico, David Miliband, viajam ainda nesta sexta-feira para a cidade de Goma, no leste do país. Segundo o ministério francês das Relações Exteriores, está prevista ainda uma escala em Kigali, capital de Ruanda.

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Deslocados deixam Kibati, no leste da República Democrática do Congo

Antes de embarcar, Kouchner disse que o leste da República Democrática do Congo é o cenário de um massacre numa escala raramente vista na África. "É um massacre como a África provavelmente nunca viu e que está acontecendo virtualmente diante de nossos olhos", declarou à rádio Europe 1. "É fora de questão que vamos deixar isso acontecer."

Já o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, apelou ao governo de Ruanda para que interceda em favor de uma solução para o conflito. "Eu diria que Ruanda é crucial para trazer a paz à República Democrática do Congo", afirmou Steinmeier, por meio de um porta-voz.

Na noite de quinta-feira, o comissário europeu de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, Louis Michel, viajou a Kinshasa. Ele se mostrou otimista sobre uma solução política para o conflito após uma conversa com o presidente congolês, Joseph Kabila.

250 mil deslocados

Nesta sexta-feira, o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados denunciou que 50 mil pessoas foram expulsas pelos rebeldes de vários acampamentos de deslocados perto de Rutshuru, a 90 quilômetros de Goma, no leste da República Democrática do Congo. Elas estão vagueando pelas estradas da região, disse a ONU.

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Goma e a capital Kinshasa no mapa do país africano

A Cruz Vermelha internacional alertou para o risco de uma catástrofe humanitária no país africano. Muitos dos refugiados, que se escondem nas florestas ao redor de Goma, estariam inacessíveis para a organização humanitária.

Pelos cálculos da Unicef, o conflito já deslocou mais de 250 mil pessoas desde agosto. Os rebeldes liderados por Laurent Nkunda chegaram aos arredores de Goma no início da semana, pondo em fuga as tropas governamentais, mas respeitam desde quarta-feira à noite um cessar-fogo unilateral.

As Nações Unidas anunciaram também nesta sexta-feira que vão utilizar um "pequeno corredor humanitário" entre Goma e Kibali para levar ajuda aos milhares de deslocados.

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