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Mundo

UE quer manter Grécia na zona do euro, mas sem corte de dívida

Em Bruxelas, intenção de cooperar com próximo governo grego, qualquer que ele seja, é consensual. Mas novo corte da dívida, como defendido pelo partido Syriza, não é bem visto.

Independentemente do resultado das eleições parlamentares antecipadas da Grécia neste domingo (25/01), a União Europeia (UE) insiste que o país mantenha a moeda comum, o euro. Mesmo que o novo chefe de governo venha do partido radical de esquerda Syriza, também ele deverá honrar as obrigações contratuais, diz-se em Bruxelas.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, descarta uma saída de Atenas da zona do euro. "A questão nem se coloca. A Grécia não abandona a zona do euro nem é instada a renunciar ao euro", declarou durante recente visita a Paris.

Pierre Moscovici Anhörung im Europaparlament 02.10.2014

Pierre Moscovici: zona do euro com a Grécia

O comissário europeu para assuntos monetários, Pierre Moscovici, mostrou-se igualmente decidido. "A filiação da Grécia à zona do euro não é mais posta em dúvida, como alguns fizeram no auge da crise [financeira], em 2011 e 2012. Para mim, pessoalmente, nunca esteve em questão."

Ele recomenda que os gregos mantenham o atual curso de consolidação orçamentária, o qual mostra os primeiros êxitos. Se tudo correr como planejado e o país seguir obedecendo as rigorosas diretrizes de reforma dos credores, a UE e o Fundo Monetário Internacional (FMI), ainda este ano Atenas poderá suspender os programas de resgate de financeiro, promete Moscovici.

"O que pedimos ao governo grego é definitivamente factível e possível. Não exigimos coisas impossíveis, queremos medidas úteis e praticáveis."

Cooperação a todo custo

Em Bruxelas é consenso a intenção de cooperar com o governo grego eleito, qualquer que ele seja. As duas posições são, em parte, conciliáveis, uma vez que o Syriza também quer manter o país na zona do euro, em vez de introduzir uma nova moeda grega, como já se cogitou e ameaçou.

Por outro lado, esbarram em grande ceticismo, por parte de numerosos políticos e representantes da economia, as reivindicações de certos políticos gregos, como o eurodeputado George Katrougalos, de que se perdoe parte das dívidas da Grécia e se organize uma conferência internacional para neutralizar as exigências recíprocas relativas ao débito.

"Um corte de dívidas é sempre uma coisa boa – quando se é o devedor. A Grécia se beneficiaria. Mas se decidisse isso unilateralmente, ela perderia o acesso ao crédito internacional. O que, por sua vez, seria negativo para o país", alerta o economista Guntram Wolff, do think tank Bruegel, sediado em Bruxelas.

Perdão impopular

O primeiro-ministro finlandês, Alexander Stubb, rechaça com veemência a opção de que os países que emprestaram dinheiro à Grécia abram mão de suas exigências. "Isso seria inaceitável e decididamente seria contra as regras da zona do euro", declarou em entrevista ao jornal grego Ekathimerini.

Essa opinião é compartilhada pelo ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, falando à revista Der Spiegel: "Os políticos gregos não devem mais ficar prometendo antes das eleições coisas que não vão poder cumprir depois", aconselhou.

Alexis Tsipras Syriza 03.01.2015 Athen

Alexis Tsipras, do Syriza, quer corte da dívida

Em março de 2014, os credores privados já tiveram que abrir mão de cerca de 100 bilhões de euros em débitos gregos. Os 320 bilhões de euros restantes provêm principalmente de fontes públicas e estatais.

Wolff explica o risco para os países doadores, que financiam o programa de resgate grego, e seus contribuintes, em caso de um corte das dívidas: "Isso significaria que seria cancelada parte das exigências financeiras que Alemanha, Itália ou Espanha têm em relação à Grécia, e que elas não seriam restituídas."

Ainda assim, ele acredita que o caminho final seja a União Europeia chegar a um consenso com Atenas, relaxando as condições ou prorrogando para além de 2050 o pagamento dos créditos. Fora de cogitação está uma saída dramática da zona do euro: pois aí os países doadores teriam que dar adeus a suas reivindicações – exatamente como no caso de um corte da dívida negociado voluntariamente, lembra o economista do think tank Bruegel.

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