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Economia

UE pressiona Suíça a afrouxar sigilo bancário

Milhares de europeus procuram fugir do fisco depositando seu capital em bancos suíços ou de outros paraísos fiscais. As autoridades de Bruxelas querem acabar com essa sonegação e negociam com o governo de Berna.

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Fachada do Union Bank of Switzerland, o maior banco suíço

A Suíça está sob pressão da União Européia por causa do sigilo bancário. As autoridades de Bruxelas estão mais do que insatisfeitas com o fato de os cidadãos da UE esconderem seu patrimônio na Suíça, longe do "leão" em seus países. Em negociações econômicas bilaterais, que começaram nesta terça-feira, os europeus exigem concessões do governo de Berna que, na prática, iriam minar o sigilo bancário. Se a UE se impuser, os bancos suíços perderiam uma importante vantagem na concorrência internacional, o que atingiria principalmente os bancos pequenos e de porte médio que administram bens e patrimônio.

Mais de 2 trilhões de dólares nos cofres - As somas em jogo são tão gigantescas, que dificilmente se faz uma noção concreta dos números, pois os bancos suíços são os maiores administradores de patrimônio, com uma parcela de um terço do mercado mundial. Os recursos sob sua tutela somam 3,4 trilhões de francos suíços, o equivalente a 2,2 trilhões de dólares. Dados concretos não há, devido à própria natureza da questão, mas calcula-se entre 190 e 260 bilhões de dólares o montante enviado à Suíça sem ter passado pelo fisco nos respectivos países europeus. "A porcentagem de patrimônio não tributado que administramos é substancial", admitiu certa feita Marcel Ospel, presidente do UBS, o maior banco suíço.

Dinheiro sujo e não tão limpo - Não se trata necessariamente de dinheiro sujo no sentido de negócios mafiosos, mas de qualquer forma também não é lá muito limpo, contexto em que se lembra imediatamente do livro "A Suíça lava mais limpo", que indispôs o corajoso deputado suíço Jean Ziegler com os banqueiros e os suíços em geral, que não gostaram de que sujassem sua barra dessa forma. Fato é que a Suíça tem leis estritas contra lavagem de dinheiro e os bancos não podem nem querem ter nada a ver com os milhões acumulados pelos ditadores e corruptos do chamado terceiro mundo ou do primeiro, nem do crime organizado. Nesse sentido, pelo menos teoricamente a Suíça coopera com as autoridades judiciais e policiais dos países que solicitam sua ajuda e o sigilo bancário não é um empecilho para isso.

Sonegação não é crime - No entanto, o sigilo não é quebrado tratando-se de sonegação de impostos, pois calar a existência de um patrimônio perante a fazenda não é considerado crime na Suíça. Como nesse caso não há cooperação internacional, o dinheiro que os sonegadores esconderam da mordida do leão está seguro na Suíça e, conforme a forma da aplicação, também não paga impostos no país que não consta entre os paraísos fiscais mas é tido como o lugar mais seguro do mundo para capitais.