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Mundo

"UE precisa afastar tendências de erosão", diz Steinmeier

Em entrevista à DW, ministro alemão do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, afirma que crise na União Europeia não se restringe à Grécia. E defende que aliados do Leste Europeu recebam mostras de apoio da Otan.

O ministro alemão do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, avalia como positiva a posição da Comissão Europeia de cobrar do governo da Hungria que regras da União Europeia não sejam unilateralmente suspensas, como no recente caso envolvendo os refugiados estrangeiros que desembarcam no continente. Segundo ele, é preciso "afastar as tendências de erosão" que ameaçam a unidade da UE.

"Por isso foi bom e correto que a Comissão Europeia indicasse à Hungria que fechar a fronteira com a Sérvia e não tomar parte da repartição de refugiados seria uma violação dos acordos europeus", afirmou Steinmeier em entrevista à DW.

Questionado sobre a decisão dos EUA de enviar armas pesadas ao Leste Europeu, o ministro alemão disse que, "na medida do possível", as partes envolvidas nos conflitos do leste da Ucrânia não devem atuar "como nos tempos da Guerra Fria". Ele defende, porém, que os países ocidentais enviem mostras aos aliados do leste de que eles contam com a proteção da Otan.

"Por isso participamos do fortalecimento da capacidade e de efetivo na defesa dos países Bálticos, por exemplo, com patrulhas aéreas e controles marítimos", explicou Steinmeier.

DW: Ministro, a situação no leste da Ucrânia voltou a piorar, há novos confrontos. O senhor passou muitas horas debatendo com seus homólogos da França, Rússia e Ucrânia em busca de possíveis soluções. Agora, o cessar-fogo em Shirokine, um povoado próximo à cidade portuária de Mariupol, apresenta-se como um modelo para a paz em maior escala. Como deveria funcionar?

Frank-Walter Steinmeier: Sim, este acordo surgiu em um encontro de ministros do Exterior em Paris, e era realmente muito urgente. Nos últimos dias, observamos com preocupação que as violações diárias do cessar-fogo aumentaram e voltaram a custar vidas de ambos os lados. Por isso era o momento de reunir as partes em conflito e advertir que elas precisam respeitar o cessar-fogo. E temos buscado juntos possibilidades para frear a escalada da violência. Mas o certo é que não se pode fazer tudo de uma só vez. Por isso pensamos: precisamos de casos que sirvam de exemplo. E assim buscamos possibilidades de trégua em nível local. Discutimos o assunto e acho que encontramos abordagens que podem funcionar em um dos povoados mais disputados, no sul da região de Donbas, em Shirokine.

De acordo com seus homólogos, o senhor classificou, a situação como muito perigosa. Paralelamente ao aumento do conflito na Ucrânia, estaria também piorando a relação da Rússia com os países ocidentais?

Está claro que a situação é sensível. Os últimos debates que tivemos aqui na Alemanha sobre a prorrogação das sanções suscitaram muitas discussões críticas, que também se repetiram nos 28 países da União Europeia. Graças a Deus tivemos aqui uma posição clara: as sanções devem ser prolongadas enquanto os acordos de Minsk não estiverem sendo cumpridos. E é óbvio que não estão sendo cumpridos. Por isso, mesmo Estados que estão mais distantes das sanções, como a Grécia, também deram sua aprovação neste caso. Mas isso, respondendo a sua pergunta, não facilita as relações do Ocidente, em particular da Europa, com a Rússia.

Como o senhor avalia o anúncio do secretário americano de Defesa de levar armamento pesado para o Leste Europeu?

Eu defendo que, na medida do possível, não façamos como nos tempos da Guerra Fria. E digo isso, sobretudo, com relação à Rússia, que já tornou pública sua intenção de se armar com pelo menos 40 mísseis de longo alcance dos mais modernos, e também de fortalecer o desenvolvimento e a pesquisa. Acredito também que seria pouco inteligente da nossa parte entrar em uma discussão retórica que repete o modelo da Guerra Fria. Independentemente disso, porém, é necessário dar mostras a nossos aliados do Leste Europeu de que eles contam com a proteção da Otan. Por isso participamos do fortalecimento da capacidade e de efetivo na defesa dos países Bálticos, por exemplo, com patrulhas aéreas e controles marítimos. São sinais importantes para que os Estados confiem na proteção que a Otan oferece.

A Europa discute agora uma divisão de cotas para receber refugiados. A Hungria não quer implementar nem mesmo o que a legislação europeia regula com relação ao tratamento dado a refugiados. Há semanas as dificuldades da Grécia na zona do euro vêm sendo discutidas. Separatismos britânicos marcam a visita da rainha à Alemanha. Estaríamos vendo os primeiros sinais de uma dissolução da União Europeia?

Espero que não sejam sinais de uma dissolução, mas os fatos que você enumerou apontam para uma crise na Europa que é maior do que a crise simbolizada pela Grécia. Certamente temos a obrigação e a responsabilidade de afastar as tendências de erosão. Por isso foi bom e correto que a Comissão Europeia indicasse à Hungria que fechar a fronteira com a Sérvia e não tomar parte da repartição de refugiados seria uma violação dos acordos europeus. Parece que tal indicação pode gerar consequências para a Hungria, e que há disposição para considerar as mais diversas medidas.

O senhor acredita que ser provável que a NSA espionou os três presidentes da França, como divulgado agora? Isso o surpreende?

Precisamente ontem à tarde eu me encontrava com meu colega francês Laurent Fabius quando as agências começaram a dar essa notícia, que causou indignação na França e no resto do mundo. Não posso julgar se esta informação é verdadeira ou não. Na Alemanha, o Parlamento decidiu criar uma comissão própria de investigação sobre o tema espionagem. Os franceses devem decidir sobre como querem esclarecer essas acusações. Se for verdade, isso não facilitará as relações entre França e Estados Unidos.

Mas não o surpreenderia...

Surpreender-me? Ultimamente, na Alemanha, temos aprendido bastante sobre atividades de serviços secretos, também coisas que não eram muito conhecidas aqui. Mas acredito que isso também deixa e deixará grande indignação na França.

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