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Mundo

UE não deverá registrar migração em massa de romenos e búlgaros em 2014

A partir de janeiro de 2014 serão eliminadas as restrições a romenos e búlgaros que buscam trabalho nos países-membros da União Europeia. Analistas afirmam que os temores de uma migração em massa são infundados.

O eletricista Nicu gostaria de permanecer em sua terra natal, a Romênia. Ele trabalhou por 25 anos numa companhia de energia elétrica no oeste do país. Anteriormente, a empresa era estatal, até ser adquirida por um investidor estrangeiro.

Nos últimos anos muitos de seus colegas perderam seus empregos. Nicu, de 45 anos, acabou permanecendo na empresa por mais algum tempo. "Mas por causa dos cortes de pessoal, tinha que trabalhar em turnos dobrados" explicou. "Ficava tão cansado que às vezes quase dormia ao volante." Ele prefere manter seu sobrenome em sigilo.

Nicu acabou também sendo demitido. Para tentar encontrar trabalho no setor privado, ou poder registrar-se com autônomo, ele tem que completar um curso de qualificação, mesmo tendo trabalhado por mais de duas décadas nessa área.

Ele mesmo tem que arcar com os custos do curso, que chegam a mil euros. Essa quantia corresponde a dois meses de um salário médio no país. "Não tenho ideia de como irei continuar pagando os estudos da minha filha", lamentou.

Não necessariamente de malas prontas

Por essa razão, ele cogita procurar emprego na Europa Ocidental a partir de 2014, não somente como eletricista, mas também nas áreas da agricultura e construção civil. No entanto, Nicu ainda não sabe se deve de fato tomar essa decisão. Ele teme que, na condição de trabalhador do Leste Europeu no exterior, o risco de acabar sendo explorado seja grande demais.

Symbolbild - Chemiker im Labor

Trabalhadores com mais qualificação não tinham restrições

As limitações legais para romenos e búlgaros assinarem contratos de trabalho de longo prazo nos países-membros da União Europeia (UE) serão removidas a partir de 1º de janeiro de 2014.

Mas os cidadãos desses dois países não estão necessariamente de malas prontas para emigrar, explica Sven-Joachim Irmer, diretor do escritório da Fundação Konrad Adenauer na Romênia e Moldávia.

Segundo o especialista, é normal que cidadãos da UE procurem oportunidades de trabalho ou de estudo em outros países do bloco, mas ainda assim ele não acredita que uma possível onda migratória desses países – sugerida por muitos órgãos de imprensa europeus – venha a ocorrer.

Romenos e búlgaros já trabalham legalmente no exterior

A Romênia e a Bulgária são membros da União Europeia desde 2007. Na Alemanha, os cidadãos destes países já podem trabalhar legalmente, contanto que tenham requerido o visto para tal junto a Agência Federal do Trabalho da Alemanha.

Entretanto, os trabalhadores mais qualificados e suas famílias, assim como os estagiários, têm a permissão para trabalhar sem a necessidade de requerer o visto.

As mudanças que entrarão em vigor a partir de 2014 irão beneficiar os trabalhadores menos qualificados da Romênia e da Bulgária, que inicialmente tinham direito na Alemanha a apenas seis meses consecutivos de permanência, na condição de empregados temporários. A partir de janeiro, os menos qualificados poderão se candidatar também a contratos de longo prazo.

Victoria Stoiciu afirma que, de qualquer forma, restrições legais não conseguem conter ondas migratórias. A gestora de programação da Fundação Friedrich Ebert na Romênia, que também conduz estudos sobre o trabalho de imigrantes, afirma que tais restrições acabam "promovendo a migração ilegal" em vez de restringi-la.

Não existem dados precisos sobre quantos romenos estariam planejando emigrar para o oeste da Europa após janeiro de 2014. De acordo com um estudo recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o número de romenos que vivem atualmente no exterior chaga a três milhões.

Boas perspectivas para técnicos e engenheiros

Faire Mobilität und Arbeitnehmerfreizügigkeit Symbolbild

Até agora, trabalhadores sem qualificação podiam trabalhar na Alemanha por apenas 6 meses

Já na Bulgária, o instituto de pesquisa Afis revelou em estudo recente que 17% dos cidadãos entre 15 e 55 anos de idade (em torno de 400 mil pessoas) pensam em deixar o país em busca de uma oportunidade de emprego nos demais países-membros da UE.

No entanto, não se trata de um fenômeno novo. Em 2008, pesquisas apontavam que em torno de um quinto da população búlgara desejava emigrar.

Dieter Emmert administra a sucursal búlgara da empresa alemã Grammer, que atua no setor automotivo. Ele entende que engenheiros e técnicos da Bulgária poderão encontrar diversas oportunidades no mercado alemão.

"A Alemanha está saindo da recessão e precisa urgentemente dessa força de trabalho", observou. Além disso, a experiência dos búlgaros na Alemanha será bastante valiosa no futuro, quando o setor industrial na Bulgária, atualmente estagnado, voltar a crescer. "A questão é como a Bulgária irá convencer essas pessoas a voltarem para casa."

Muita burocracia e poucas oportunidades

Essa é também a dúvida de Mila Natudova que, após ter completado um estágio nos Estados Unidos na área de administração, trabalha para uma associação de búlgaros com formação no exterior, chamada "Aqui e ali".

Ela conta que os estudantes de intercâmbio que retornam ao país geralmente se decepcionam com a burocracia em sua terra natal, além das oportunidades limitadas e salários baixos. Natudova entende que esses fatores precisam mudar para que o Bulgária possa melhorar sua habilidade de reter os trabalhadores mais qualificados.

Ainda assim, já existem alguns sinais positivos no país. De acordo com pesquisas realizadas pela associação de Natudova, cada vez mais pessoas estão dispostas a voltar para a Bulgária após realizarem estudos no exterior.

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