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Mundo

UE exige processo justo para Saddam Hussein

Prisão do ex-ditador Saddam Hussein gera alívio e alegria, alta nas bolsas de valores, esperança de paz e também medo de mais terrorismo. União Européia exige processo justo para o ex-ditador.

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Saddam Hussein após sua captura

Governantes da Europa, incluindo adversários da guerra contra o Iraque, congratularam o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pela prisão de Saddam Hussein. Entre eles destaca-se o chanceler federal alemão, Gerhard Schröder, um dos líderes da resistência à guerra. O ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer, disse esperar que a prisão do antigo déspota surta efeito positivo nas suas sondagens sobre uma possível reativação do processo de paz no Oriente Médio. Fischer começa nesta terça-feira (16) um giro de dois dias por Egito, Jordânia e Israel.

Os governos do mundo árabe reagiram com alívio, mas também insegurança. Eles esperam que a prisão de Saddam Hussein sirva agora para acelerar a reconstrução política e econômica do Iraque. Mas, assim como acontece na Alemanha e em outros países europeus, os árabes temem que os partidários do antigo déspota dêem vazão à sua indignação com mais atentados terroristas contra alvos dos Estados Unidos e aliados em todas as partes do mundo. Isso foi confirmado, em parte, um dia após a prisão de Saddam Hussein pelos ataques terroristas a vários postos policiais no Iraque, com no mínimo oito mortos.

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Saddam Hussein ainda nos seus bons tempos, em junho de 2002

No Sudeste Asiático, a reação foi de alegria contida. A euforia foi maior na Austrália, cujo primeiro-ministro, John Howard, expressou especial satisfação, o que se justifica com a morte de vários australianos no atentado perpetrado por radicais islâmicos nos paraíso turístico de Bali.

Reação das bolsas - O efeito Saddam gerou alta nas bolsas de valores em todo o mundo. De Tóquio até Frankfurt, elas reagiram positivamente no início do dia. O índice mais importante da Alemanha (Dax) subiu 1,38%, alcançando a marca mais alta do ano, de 3930 pontos. No meio da tarde, a alta cedeu para menos de 1%.

As ações mais valorizadas foram de empresas dos setores de aviação e turismo, exatamente as mais vulneráveis ao terrorismo. Os investidores no mercado alemão de ações parecem, porém, conscientes de que o perigo de terror não foi banido com a captura de Saddam Hussein. Pelo contrário, muitos temem uma reação dos seguidores do antigo déspota, com mais atentados.

Processo justo - Em meio a esperanças e temores em todo o mundo, a União Européia se pronunciou a favor de um processo justo, à luz do direito internacional, contra o ditador destituído pela guerra liderada pelos americanos. Sua prisão seria mais um passo para a paz, a estabilidade e a democracia no Iraque e em toda a região, segundo a presidência européia, ocupada pela Itália.

A Anistia Internacional viu na prisão de Saddam Hussein uma chance de justiça. Seria, finalmente, o momento de julgar os responsáveis pelos crimes cometidos durante a sua ditadura de 25 anos. Mas, exatamente em respeito às suas inúmeras vítimas, o ex-ditador deveria ser tratado de forma humana e ter um processo justo e transparente.

No momento em que a secretária-geral da seção alemã da AI, Barbara Lochbihler, fazia esta exigência em Berlim, o secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, anunciava que Saddam Hussein será tratado como prisioneiro de guerra, de acordo com a Convenção de Genebra. Rumsfeld disse que o prisioneiro mais importante do mundo "não foi cooperativo" nos primeiros interrogatórios e garantiu que ele será tratado de forma "profissional e humana".

Mais atentados? - A captura do ex-homem forte do Iraque foi o assunto dominante na imprensa alemã. O jornal Handelsblatt acha que, a curto prazo, os seguidores de Saddam Hussein darão vazão à sua fúria com mais atos terroristas. Mas, a longo prazo, a resistência cederá, porque as fontes financeiras dos terroristas estão secando. Para o diário Frankfurter Allgemeine Zeitung, a explicação mais importante do prisioneiro nos interrogatórios será o motivo pelo qual não deu ordens aos seus militares para reagir seriamente às tropas invasoras.

"Em função da captura de Saddam Hussein, os europeus vão silenciar as suas críticas durante curto tempo", opina Die Welt, "para depois voltarem a pintar um cenário de caos." Segundo o jornal, "especialmente os governos alemão e francês usam todas as notícias procedentes do Iraque como motivo para prever o naufrágio total do país. O diário exortou os governos europeus, sobretudo os de Berlim e Paris, a não verem o Iraque só como um perigo, mas também como uma chance.

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