UE e países em desenvolvimento se aliam para forçar acordo em Durban | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 09.12.2011
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Ciência e Saúde

UE e países em desenvolvimento se aliam para forçar acordo em Durban

UE e países em desenvolvimento formam aliança inédita para tentar forçar um acordo na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de Durban. EUA, China e Índia são os maiores entraves.

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Hedegaard defende um novo acordo climático já em 2015

Em Durban foi formada uma aliança até então sem igual em conferências sobre o clima: a União Europeia (UE) uniu forças com os países menos desenvolvidos, os chamados Least Developed Countries (LDC) e com a Aliança de Pequenos Estados Insulares (Aosis, na sigla em inglês).

Juntos, os cerca de 120 países são a esmagadora maioria da conferência. Eles pleiteiam um segundo período de vigência do Protocolo de Kyoto e a criação de um acordo climático abrangente que estipule metas de reduções de emissões para os países industrializados e emergentes.

Para o ambientalista Martin Kaiser, diretor de política climática do Greenpeace, esse é um sinal positivo. "A União Europeia se colocou do lado daqueles que veem a mudança climática como uma questão de sobrevivência e que, baseados na urgência científica, querem criar fatos novos no âmbito político."

EUA continua bloqueando

Martin Kaiser Greenpeace

Kaiser apoia aliança entre a União Europeia e países pobres

Do outro lado estão os grandes emissores de gases do efeito estufa, entre eles os EUA, que não devem abandonar em Durban sua posição de bloqueador de um acordo, mas também o grupo de países do chamado bloco Basic, ou seja, Brasil, África do Sul, Índia e China.

Dois integrantes desse quarteto, a anfitriã África do Sul e o Brasil, são vistos como dispostos a ceder. Eles sinalizaram que estão prontos para tentar reduzir suas emissões de gases do efeito estufa.

Incerta permanece a posição da China, que é, em termos absolutos, o maior emissor de gases do efeito estufa do mundo e, portanto, essencial para uma proteção climática eficaz. Por um lado, os chineses declararam que não querem bloquear um acordo juridicamente vinculativo. Por outro, ainda não deixaram claro se estão dispostos a limitar suas próprias emissões.

Índia não quer reduzir emissões

CDU-Bundesparteitag

Röttgen: a favor de ação e negociação paralelas

Do grupo Basic, a Índia mostra ser o maior empecilho, não querendo limitar suas emissões. A ministra indiana do Meio Ambiente e da Floresta, Jayanthi Natarajan, aponta para o elevado número de pessoas pobres em seu país.

"Eles estão lutando pela sobrevivência diária e pelas necessidades básicas. Deles não se pode esperar que sejam obrigados a reduzir suas emissões se nem mesmo produzem emissões." O desenvolvimento econômico e a luta contra a pobreza são atualmente as prioridades para os pobres na Índia, segundo ela.

Os indianos, portanto, não esperam que haja um novo acordo climático antes de 2020. Mas a UE não quer esperar tanto. A negociadora-chefe europeia, Connie Hedegaard, insiste em 2015. "Este não é um prazo injusto. Ainda restariam quatro anos para se fazer [as adaptações] necessárias!"

Para UE, é necessário agir até 2015

"Não podemos aceitar que uma fase de negociação de anos seja usada para se fazer uma pausa nas nossas atividades", concorda o ministro alemão do Meio Ambiente, Norbert Röttgen. "Ação e negociação devem ocorrer paralelamente."

Se os países participantes da conferência não entrarem num acordo nas próximas horas, o processo de negociação do clima no âmbito das Nações Unidas pode entrar em colapso. "Um fracasso em Durban é uma opção e seria melhor do que fechar um acordo de araque, para fingir para a opinião pública mundial que a negociação entre governos é possível", opina Kaiser.

As negociações, previstas para terminar nesta sexta-feira, devem prosseguir durante toda a madrugada. Um documento final deverá ser concluído apenas no sábado.

Autor: Johannes Beck, em Durban (md)
Revisão: Alexandre Schossler

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