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Mundo

UE diverge sobre redistribuição de migrantes

Ministros do Interior não chegam a acordo sobre como realocar cerca de 40 mil refugiados que estão na Grécia e Itália. Vários países-membros se mostram relutantes sobre o reassentamento de requerentes de asilo.

Os ministros do Interior da União Europeia (UE) não conseguiram chegar a um acordo nesta segunda-feira (20/07) sobre como redistribuir aproximadamente 40 mil requerentes de asilo que alcançaram a Europa após travessias do Mar Mediterrâneo e estão na Grécia e Itália.

Uma sessão extraordinária realizada em Bruxelas foi convocada para encerrar o impasse dentro dos 28 países-membros da UE sobre como distribuir os refugiados de uma forma equitativa ao longo dos próximos dois anos.

A UE se comprometeu com a realocação de 32.256 refugiados. Enquanto a Alemanha se dispôs a receber 10,5 mil refugiados, Reino Unido e Dinamarca legalmente não são legalmente obrigados a cooperar, e Áustria e Hungria se recusaram a acomodar qualquer imigrante.

No entanto, os ministros chegaram a um acordo separado para o reassentamento de outros 20 mil refugiados que atualmente se encontram em países fora do bloco europeu. Deste plano, Reino Unido e Dinamarca concordaram em participar, enquanto países não pertencentes à UE, como Noruega e Suíça, também prometeram cooperar para o cumprimento da meta, recebendo 3.500 e 519 refugiados, respectivamente.

"Os números são às vezes encorajadores, às vezes decepcionantes. Outras vezes até mesmo constrangedores", disse o ministro do Exterior de Luxemburgo, Jean Asselborn, que presidiu a reunião. Ele afirmou que Hungria e Áustria já estão enfrentando a pressão de uma recente migração em grande escala. Asselborn, porém, espera chegar ao total de 60 mil requerentes de asilo a serem redistribuídos até o fim deste ano.

A falha em alcançar a meta estipulada foi imediatamente criticada. "O fato de os Estados-membros não terem conseguido chegar a um acordo sobre a realocação de apenas 40 mil refugiados depois de cinco meses é ridículo", disse Gianni Pittella, líder dos socialistas na União Europeia. "A quantidade de tempo e energia política que está sendo desperdiçada nesta questão é francamente ridícula."

No início deste mês, a ONU havia divulgado que aproximadamente 137 mil pessoas haviam chegado à Grécia, Itália, Espanha e Malta. Muitos outros migrantes teriam chegado por terra atravessando os Bálcãs.

Conflitos e repressão na África e no Oriente Médio têm impulsionado milhares de pessoas à União Europeia em busca de proteção ou de uma melhor qualidade de vida. Muitos migrantes morreram ao tentar atravessar o Mar Mediterrâneo. Grécia e Itália estão tendo de lidar com um grande contingente de refugiados, causando escassez de recursos e levando a um pedido de solidariedade de outros Estados-membros da UE.

O bloco europeu decidiu agir depois de uma embarcação ter naufragado em abril, causando a morte de quase 800 migrantes no Mar Mediterrâneo. No entanto, a migração é uma questão espinhosa, especialmente após vitórias políticas de partidos de extrema direita na Europa.

Aproximadamente 40 mil requerentes de asilo estão em territórios grego e italiano – a maioria proveniente da Eritreia e da Síria. No mês passado, os líderes da UE concordaram em redistribuir sírios e eritreus ao longo dos próximos dois anos. Porém, depois de uma disputa sobre quotas obrigatórias, foi deixado aos Estados-membros a decisão de uma recepção voluntária de requerentes de asilo.

PV/ap/rtr/dpa/afp

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