UE defenderá controle rígido sobre os mercados em Washington | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 14.11.2008
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Economia

UE defenderá controle rígido sobre os mercados em Washington

Para a União Européia, FMI deve assumir a vigilância dos mercados financeiros internacionais. Alemanha defenderá mudanças na bonificação de empresários e avaliação das agências de rating durante o encontro do G20.

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Nenhum mercado sem controle

Um controle amplo e sem lacunas sobre os mercados financeiros internacionais será uma das principais posições que a União Européia (UE) defenderá neste sábado (15/11) durante a cúpula financeira do G20 em Washington. Os europeus querem que, no longo prazo, o Fundo Monetário Internacional (FMI) assuma o papel de supervisor dos mercados globais.

A UE deseja que nenhuma instituição financeira, nenhum segmento de mercado e nenhuma jurisdição escape à regulamentação e supervisão. Isso inclui os paraísos fiscais e os fundos de investimento de alto risco. As agências de rating deverão ser submetidas a registro e vigilância.

Crise não deve se repetir

Para a chanceler federal alemã, Angela Merkel, os recentes acontecimentos mostram que "todos os setores, todos os produtos e todos os negócios" relacionados com os mercados financeiros deverão ser supervisionados no futuro. "Não deve mais haver pontos cegos nos quais os riscos possam se desenvolver sem serem percebidos", disse.

Em entrevista ao jornal Süddeutsche Zeitung , ela voltou a defender nesta sexta-feira um fortalecimento do papel do FMI no controle dos mercados. "O que vivenciamos no momento são excessos dos mercados. Esses excessos serão reprimidos para que uma crise como a atual não se repita", declarou. Merkel insistiu que em Washington seja definido um cronograma de trabalho para os próximos cem dias.

A União Européia espera que, daqui a cem dias, haja resultados concretos para reforçar o controle sobre os mercados financeiros internacionais, segundo o documento final do encontro de chefes de governo e de Estado dos 27 países-membros, reunidos na semana passada em Bruxelas. Os europeus propõem a realização de uma nova cúpula a partir dessa data.

Propostas alemãs

Merkel levou para Washington um documento elaborado por uma equipe de assessores comandada pelo ex-economista chefe do Banco Central Europeu Otmar Issing. No texto estão detalhadas várias propostas, incluindo alterações no sistema de bonificações a empresários do setor financeiro.

EU Sondergipfel in Brüssel Angela Merkel

Angela Merkel: reprimir excessos para evitar nova crise

Para o governo alemão, os empresários devem ser recompensados em longo prazo. O atual sistema de bonificação leva os executivos a muitas vezes pensar no sucesso em curto prazo, o que foi uma das causas da crise, segundo o documento.

Outra idéia é a criação de um mapa mundial de riscos para o sistema financeiro. Ele refletiria a situação de todas as instituições financeiras do mundo, inclusive fundos de hedge e seguradoras. O mapa tornaria possível uma intervenção mais rápida em caso de novas crises.

O grupo de economistas defende também uma avaliação sistemática das agências de classificação de risco. O trabalho delas deve ser avaliado anualmente por uma comissão independente. Outra proposta é a criação de um registro de crédito que permita aos governos ter uma visão geral dos empréstimos de alto risco concedidos em seus países.

Vinte maiores economias

O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, disse não estar à espera de um milagre no encontro de Washington. Para ele, a cúpula é o início de um processo para enfrentar a crise financeira. "É claro que se espera que sejam tomadas decisões concretas. Por exemplo, devemos atribuir mais competências ao Fundo Monetário Internacional", afirmou Barroso em entrevista ao Süddeutsche Zeitung .

Também o ministro alemão das Finanças, Peer Steinbrück, declarou não ter grandes expectativas em relação ao encontro. Ele disse que a reunião será bem-sucedida se estabelecer um mandato para a definição das bases institucionais e regulatórias de uma reforma do sistema financeiro internacional.

O encontro de cúpula reunirá em Washington líderes do G20, grupo que reúne as nações do G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá), a Rússia, as principais nações emergentes (Argentina, Austrália, Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coréia do Sul, Turquia) e a União Européia.

Criado em 1999, o G20 representa 85% da economia mundial e cerca de dois terços da população do planeta.

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