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Mundo

UE decide por Durão Barroso como futuro presidente

A cúpula extraordinária da UE, em Bruxelas, nomeia o português Durão Barroso como provável sucessor de Romano Prodi na presidência da Comissão. Também Javier Solana foi confirmado como futuro ministro do Exterior.

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Durão Barroso comandará os destinos da UE a partir de novembro

Os chefes de Estado e de governo da União Européia indicaram oficialmente o primeiro-ministro português José Manuel Durão Barroso para o posto de futuro presidente da Comissão Européia. A decisão final foi tomada durante uma conferência de cúpula extraordinária, realizada em Bruxelas na noite desta terça-feira (29/6). Horas antes, o chefe do governo de Lisboa dirigiu-se ao povo português, afirmando: "Nenhum líder político pode rechaçar tal tarefa, que visa tornar a União Européia mais forte e mais justa."

A nomeação de Durão Barroso terá ainda de ser submetida à aprovação do Parlamento Europeu, em Estrasburgo. A data prevista para isso é o dia 20 de julho próximo. A aquiescência do Parlamento é tido praticamente como certa, uma vez que a maioria conservadora apóia a candidatura do primeiro-ministro português. Após a votação em Estrasburgo, Durão Barroso torna-se então o sucessor oficial de Romano Prodi, cujo mandato à frente da Comissão Européia termina no dia 31 de outubro.

Também o coordenador de política externa e de segurança da UE, o espanhol Javier Solana, foi confirmado no cargo pelos chefes de Estado e de governo, nesta terça-feira. Solana deverá assumir futuramente o posto de ministro das Relações Exteriores da União Européia, que é vinculado ao cargo de vice-presidente da Comissão Européia. Tais postos, no entanto, só poderão ser ocupados depois da ratificação da nova Constituição da UE pelos 25 países-membros.

Apoio de Berlim


O apoio de Berlim já fora assegurado a Durão Barroso pelo chanceler Gerhard Schröder numa conversa telefônica realizada na última sexta-feira (25). Barroso também contou com o apoio da oposição alemã, expressado pela presidente da União Democrata Cristã (CDU), Angela Merkel. Consta até mesmo que Merkel teria sido uma das articuladoras da indicação de Durão Barroso para o cargo, através de conversa telefônica com o presidente francês, Jacques Chirac.

Em troca do apoio a Durão Barroso, o governo da Alemanha reivindica o posto de um supercomissário da Economia para social-democrata Günther Verheugen, na nova composição da Comissão Européia. Segundo Schröder, também a líder oposicionista Angela Merkel considera ser um desejo legítimo da Alemanha, como país que dá a maior contribuição financeira à UE, a indicação do homem forte nas questões econômicas. "Defendemos a mesma posição de que seria bom se a Alemanha assumisse uma responsabilidade político-econômica de peso dentro da UE", completou o chanceler.

Gerhard Schröder reconheceu, contudo, que a distribuição de tarefas na futura Comissão da União Européia será uma prerrogativa de Durão Barroso, como presidente do grêmio diretivo da UE. "É um direito de todo país, manifestar o seu desejo, mas é um direito soberano do presidente da Comissão, fixar as atribuições dos diversos comissários", disse o chanceler alemão em Bruxelas, durante o encontro de cúpula.

Discreto, poliglota, conservador e "sem carisma"


Durão Barroso, de 48 anos de idade, prima pela discrição. É improvável que vá querer brigar pelas luzes da mídia com "estrelas" como Blair, Berlusconi, Schröder ou Chirac. Seu perfil é mais de um burocrata do que de um estadista e sua força política vem antes da capacidade de propor consensos que da força de liderança.

Formado em Ciências Políticas nos EUA, Durão Barroso fala bem inglês e francês. Ex-ministro de Negócios Estrangeiros do seu país, Durão Barroso foi eleito chefe do governo português há dois anos, apesar da dúvida lançada pela mídia portuguesa de que o político "sem carisma" pudesse realmente vencer as eleições.

"O carisma vem com o poder", costumava dizer Durão Barroso, parafraseando o ex-premiê espanhol José Maria Aznar, com quem mantinha boas relações. Exatamente essa estreita ligação com Aznar foi motivo da resistência inicial do governo socialista de Madri à sua indicação para o cargo.

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