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Ciência e Saúde

UE critica documento central da Rio+20 e reconhece dificuldade de papel do Brasil

Comissário europeu para Meio Ambiente, Janez Potočnik, comenta documento a ser discutido por chefes de Estado na Rio+20. Insatisfeito com resultado, admite que país líder das negociações teve papel complicado.

Deutsche Welle: Como o senhor avalia o documento final que os chefes de Estado irão discutir aqui na Rio+20?

Janez Potočnik, comissário da UE para o Meio Ambiente: Eu acho que o documento não alcançou completamente as necessidades do mundo, levando em consideração os desafios que enfrentamos. Mas ele emite um sinal de que estamos indo na direção certa, e isso é importante.

É por isso que apoiamos o texto, sempre consideramos tratar-se de um processo, e que há muitos pontos que julgamos bons para o futuro e com estamos prontos a nos comprometer. Mas nos esforçamos durante as negociações, que foram longas, para trazer o máximo de ambição e objetivos concretos ao texto, para que houvesse mais clareza e para que enviássemos um sinal claro – não apenas para nossos cidadãos, mas também para o setor empresarial e instituições financeiras – da direção para onde vamos.

Os negociadores brasileiros comentaram que a UE pressionou bastante durante a negociação. O que a UE gostaria que tivesse entrado no documento, mas ficou de fora?

Comissário da UE Janez Potočnik

Comissário da UE Janez Potočnik

Nossa ambição era que o conteúdo mostrasse os objetivos, metas e ações que são necessárias para vencer os desafios que enfrentamos. E nós queríamos mudanças nas instituições, tornando-as mais capazes para lidar com esses desafios.

Quanto ao conteúdo, achamos que avançamos um pouco. Mas preferíamos que houvesse prazos e compromissos mais claros, de forma que diminuíssem as chances de nos movermos numa direção diferente daquela com que todos nós concordamos, no documento.

Quanto às instituições, a nossa vontade é que o Pnuma [Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente] se transformasse numa agência das Nações Unidas. Isso não foi alcançado, mas estamos felizes com o upgrade acordado no documento.

Dissemos aos nossos colegas africanos que apoiamos fortemente essa iniciativa [o Pnuma tem sede no Quênia]. Mas acho que isso vai ficar para o futuro, e vamos continuar trabalhando para fortalecer essa parte da governança.

Houve aquela divisão clássica entre países desenvolvidos e em desenvolvimento durante a discussão?

Os interesses dos paises não são os mesmos, o que é perfeitamente normal. Acho que o importante entre esses diferentes interesses que circulam por aqui é a tentativa de entendermos uns aos outros. Essa é a única maneira de se chegar a um acordo.

Acho que esses interesses foram gerenciáveis, no fim das contas, e que hoje, pelo menos todas as delegações concordaram que o texto é aceitável. Claro que ele ainda não foi adotado, pois esse é o trabalho para os chefes de Estado.

Essa divisão não foi tão grave a ponto de prejudicar o processo. Fomos capazes de estabelecer um nível satisfatório de confiança, o que é sempre preciso nesses processos.

Presidente Dilma Rousseff (d.) e secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na abertura da Rio+20

Presidente Dilma Rousseff (d.) e secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na abertura da Rio+20

Mesmo na discussão sobre financiamento, essa divisão não foi tão grave?

Sim, mesmo nessa área. A União Europeia nunca recua quando discutimos financiamento. Primeiramente, achamos que a economia verde precisa de um padrão diferente de produção e consumo. E, em muitos casos, isso tem a ver com os novos financiamentos necessários. É por isso que acreditamos que todas as fontes de financiamento, não importa se domésticas ou exteriores, se privadas ou públicas, deveriam ser ativadas.

Não recuamos nesse processo, porque sabemos que [obter o dinheiro] é difícil para alguns países em desenvolvimento. Queremos dar assistência com ajuda tecnológica, com atividades de pesquisa, com ajuda direta, capacitação etc.

Nós nos comprometemos novamente, mesmo com essas circunstâncias difíceis, a chegar a uma parcela de 0,7% do Produto Interno Bruto para a ajuda ao desenvolvimento, até 2015. Atualmente, o nível é de aproximadamente 0,41%. Isso significa que precisamos de compromissos sérios para ajudar os que merecem e precisam alcançar o nível de desenvolvimento dos países que vivem em condições melhores.

Como o senhor avalia a liderança brasileira nessas negociações?

O Brasil exerceu um bom papel, acho que foi difícil, obviamente, esse é um processo complexo, com conteúdo complexo. Quando se fala em economia verde você fala de tudo ao que está conectado às atividades tanto econômicas como outras também. A discussão sobre sustentabilidade envolve praticamente tudo.

Acho que não foi fácil o papel que [os representantes do Brasil] exerceram, e eles escolheram um caminho próprio – que foi bem-sucedido, já que chegamos a um acordo.

Entrevista: Nádia Pontes
Revisão: Augusto Valente

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