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Mundo

UE assiste perplexa e impotente à violência no Egito

Após a recente onda de violência, representantes da União Europeia defenderam o diálogo entre as forças políticas do Egito. Uma ação conjunta dos europeus ainda não existe.

A União Europeia (UE) reagiu com perplexidade e impotência à recente onda de violência no Egito. No decorrer desta quarta-feira (14/08) – dia em que as forças de segurança desmontaram à força acampamentos de apoiadores do presidente deposto Mohammed Morsi no Cairo – a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, reagiu com várias declarações, de forma cada vez mais contundente, à escalada de violência.

Por último, ela apelou às forças de segurança para exercer maior contenção e ao governo de transição para dar um fim "o mais rápido possível" à situação de exceção.

Antes, Ashton havia apelado aos islamitas para "evitar uma nova escalada e provocações" e condenou os ataques às igrejas da minoria copta – uma crítica dirigida claramente à Irmandade Muçulmana. Mas o principal alvo de suas acusações eram governo e forças de segurança. Ashton falou de um "futuro incerto" que o país teria pela frente se a violência continuar.

A chefe da política externa da UE disse que o Egito pode ter um "outro futuro" se todas as partes estiverem coesas em torno de um processo político, que restaure estruturas democráticas por meio de eleições e permita a participação pacífica de todas as forças políticas.

Ägypten Räumung des Mursi Anhänger Lagers in Kairo 14. August 2013

Forças de segurança egípcias avançam com violência contra islamitas

Recente missão de mediação fracassou

Declarações à parte, a verdade é que os representantes da UE se tornaram meros espectadores do processo, apesar de o enviado especial para o Oriente Médio, Bernardino Leon, continuar seus esforços por uma mediação entre as partes.

A mais recente tentativa dele, que fez acompanhado do diplomata americano William Burns, fracassou. Leon se queixou de que a Irmandade Muçulmana havia aprovado o plano, mas os militares, não. Poucas horas depois, os militares deram luz verde à intervenção nos acampamentos pró-Morsi no Cairo.

Ao afirmar que os militares haviam rejeitado o plano, Leon atribuiu indiretamente a responsabilidade pela violência principalmente a eles e ao governo de transição.

Já o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, ressaltou o dever das autoridades de "assegurar que todos os egípcios, independentemente de sua filiação política, possam manifestar-se pacificamente." Segundo Schulz, é "obrigação do governo encontrar uma solução pacífica e justa para a crise atual."

Opção pelo terceiro grupo

À primeira vista, pode parecer que a UE pende para o lado da Irmandade Muçulmana. De fato, Ashton vem repetidamente defendendo a liberação de Morsi. Mas a questão é mais complexa: a UE acompanhou com grande irritação as tentativas de parte da Irmandade Muçulmana de instaurar um regime islâmico no Egito.

Por esse motivo, críticos acusam os europeus de hipocrisia: a UE condena os militares, mas no fundo aprova o afastamento de Morsi, afirmam.

O eurodeputado Elmar Brok, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento Europeu, disse que a União Europeia não deve optar por nenhum desses dois lados.

"Temos que ficar do lado de um terceiro grupo: a maioria da população, que exige um Estado laico", afirmou em entrevista à Deutsche Welle. Para ele, a UE deve pressionar os militares para cumprir um cronograma de reestabelecimento da democracia e também fazer com que eles empreendam mais uma tentativa de encontrar uma forma de convivência com a Irmandade Muçulmana.

O grande problema, segundo Brok, é que nenhuma dessas três partes – os militares, a Irmandade Muçulmana e os grupos seculares, em particular os grupos cristãos – está disposta a conversar com as outras.

Westerwelle pede reunião emergencial

Elmar Brok Europaparlament

Eurodeputado Elmar Brok ainda aposta em mediação

Até agora, a União Europeia não impôs nenhum tipo de sanção ao Egito, como a suspensão da ajuda financeira. Nenhum dos grandes países-membros exigiu isso. Só a Dinamarca cancelou dois programas bilaterais de ajuda no volume de 30 milhões de euros. Brok disse não concordar com o fim da ajuda como instrumento de pressão para negociações.

"Porque isso significa que justamente os jovens, que se engajam por mais democracia e um Estado laico, teriam ainda menos oportunidades de um futuro melhor do que tiveram até agora. E uma situação social ruim implicaria nada mais nada menos que o surgimento de mais tumultos", argumentou.

Embora elas pareçam pouco promissoras, o político europeu aposta em novas tentativas de mediação. Caso elas fracassem, Brok disse temer o surgimento de "uma guerra civil ou de uma espécie de terrorismo islâmico."

Por sua vez, o ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, propôs a realização de uma reunião de emergência sobre o Egito, "possivelmente em nível ministerial". Durante uma visita à Tunísia, ele disse que uma ação europeia conjunta seria de interesse dos próprios europeus: "Não é em qualquer lugar, é na nossa vizinhança."

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