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Mundo

UE aprova envio de missão policial ao Afeganistão

Ministros das Relações Exteriores da UE aprovam missão para formar polícia afegã. Trata-se de uma tarefa perigosa, adverte o presidente do Sindicato dos Policiais Alemães, Konrad Freiberg, em entrevista à DW-WORLD.

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Alemães já treinam policiais em Cabul

O Conselho dos Ministros das Relações Exteriores da União Européia aprovou nesta segunda-feira (12/02), em Bruxelas, o envio de uma missão policial ao Afeganistão. "O Conselho reforça o engajamento determinado e de longo prazo da UE no país. A meta é formar uma polícia afegã que respeite os direitos humanos e atue com base no estado de direito", diz um comunicado dos ministros.

Segundo informações de diplomatas europeus, a missão da UE será integrada por cerca de 160 policiais e até 70 peritos. Ela iniciará suas atividades em maio ou junho deste ano, com um orçamento de 40 milhões de euros.

Algumas dezenas de policiais alemães já se encontram no Afeganistão, numa missão que passa a ser européia. Em entrevista à DW-WORLD, o presidente do Sindicato dos Policiais Alemães, Konrad Freiberg, diz que os EUA fazem pressão por uma formação paramilitar para a polícia afegã.

DW-WORLD: Por que policiais alemães são enviados ao Afeganistão?

Konrad Freiberg: Nós assumimos o mandato internacional para a formação de policiais no Afeganistão. Entre 40 e 50 policiais alemães estão no país, a maioria para a instrução de oficiais. Esta tarefa nem sempre é satisfatória, visto que nem sempre se sabe quem está sendo formado. Há policiais que se tornam corruptos, especialmente quando retornam às províncias.

Como funciona a cooperação entre os policiais e os militares alemães no Afeganistão?

Estas tarefas precisam ser vistas de forma distinta. Também o alojamento é separado. Os policiais alemães estão somente em Cabul. Há pouco contato. A população também sabe distinguir entre a polícia e os militares. A polícia não participa de operações, não circula armada pelas ruas, restringindo sua atividade aos centros de formação em Cabul.

A ampliação da missão militar, com o envio de aviões de reconhecimento do tipo Tornado, complica a situação da polícia alemã em Cabul?

Konrad Freiberg

Freiberg: 'EUA querem polícia paramilitar'

Há vários aspectos que não só tornam a tarefa mais difícil, mas sobretudo mais perigosa. Há uma pressão internacional sobre a Alemanha para que participe das operações nas frentes de batalha no sul do Afeganistão. O governo agora autorizou o envio de Tornados. Além disso, há pressão para fortalecer o engajamento, a fim de ainda obter uma virada positiva no país. E existem as críticas dos americanos à formação dos policiais. Os americanos não querem uma polícia como a que nós temos no nosso sistema jurídico e, sim, uma polícia paramilitar, portanto, pessoas que saibam atirar.

O governo alemão que fortalecer seu engajamento na formação policial. Virá até mesmo uma sugestão do Ministério do Interior de incluir entre as obrigações da polícia a atuação em missões no exterior. Portanto, futuramente, mais policiais alemães serão enviados ao Afeganistão, não só a Cabul. Isso representa mais riscos para estes profissionais. Somos contra estes planos, assim como também rejeitamos uma modificação do mandato que nos obrigue a realizar uma formação paramilitar.

A formação recebida pelos policiais na Alemanha, antes de serem enviados ao Afeganistão, é suficiente para enfrentar a situação in loco ?

Precisamos colocar a formação na Alemanha sobre uma nova base. Primeiro, será um mandato longo e cada vez mais perigoso, representando até risco de vida. Até agora, temos 14 dias de treinamento para os profissionais que são enviados para o Afeganistão. Esta formação precisa ser intensificada. Precisamos preparar os colegas cada vez mais para situações de perigo. Precisamos aprender a nos proteger contra explosivos, saber quais viaturas e equipamentos são adequados, e conhecer o fundo cultural e as linhas de conflito que existem lá. Isso tudo precisa ser melhorado.

O que fez com que o perigo para os policiais alemães no Afeganistão aumentasse?

Em primeiro lugar, a situação no país. Aos talibãs não importa quem são as vítimas de seus ataques. E a polícia está na mira do Talibã – pode-se dizer isso com toda clareza.

Além do perigo para os policiais no Afeganistão, há outros fatores que diferenciam esta missão de outras, como por exemplo nos Bálcãs?

O ar em Cabul. A poeira na cidade é constituída 30% de excrementos. Isso significa que todos os que vão para lá contraem primeiro graves doenças infecciosas. Todos! Porque é impossível se proteger contra isso.

Teoricamente, é imaginável uma situação em que o senhor proporia uma retirada dos policiais?

Isso não é teoria e, sim, temores que temos. Se a situação no Afeganistão não for mais controlável, é preciso decidir se a polícia ainda tem algo a fazer lá ou se a situação é de conflito meramente militar. Nós somos policiais e queremos formar policiais no Afeganistão. Mas queremos viver em segurança no país. E isso precisa ser garantido.

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