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Economia

UE ameaça extinguir Made in Germany

Por sugestão da Itália, Comissão Européia avalia criar selo Made in the EU para unificar identificação da origem dos produtos da comunidade. Governo e empresários alemães rejeitam o fim do respeitado Made in Germany.

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Sinônimo de "inovação e longa durabilidade"

Na Alemanha, foi com surpresa e indignação que políticos e empresários reagiram à revelação do jornal Financial Times Deutschland ( FTD) de que a Comissão Européia prepara a criação de uma identificação comum para todos os produtos dos hoje 15 e a partir de maio 25 países membros da comunidade. "O fim do Made in Germany é inaceitável para a Alemanha", declarou o porta-voz do governo federal Béla Anda, em Berlim. Ele ressaltou que "o selo é prova da qualidade do trabalho alemão".

O presidente da Confederação das Pequenas e Médias Empresas (BVMW) igualmente repudiou a intenção de Bruxelas. Para Mario Ohoven, Made in Germany significa produtos inovadores e de longa durabilidade. Um selo europeu prejudicaria a competitividade dos produtos alemães.

Marqueteiros europeus também receberam mal os planos do comissário de Comércio, Pascal Lamy. A abolição dos selos nacionais no âmbito europeu teria "conseqüências devastadoras para as empresas que apóiam seu marketing em características tipicamente nacionais", adverte Terry Tyrrell, da consultoria britânica Enterprise IG.

"Em breve um vinho Barolo não deverá mais ser Made in Italy, mas Made in Europe? Assim como os queijos franceses? Ou o salame da Hungria? E os gansos da Polônia, [...] e os bombons da Bélgica?", questiona o jornal Rheinische Post, de Düsseldorf.

Idéia ainda em estudo

A reação contra a Comissão Européia talvez tenha sido algo desmedida. A idéia, por exemplo, não surgiu entre os eurocratas de Bruxelas, mas veio de Roma durante a presidência italiana da União Européia, no semestre passado. O comissário Lamy, em princípio, cumpre seu dever de analisar a proposta. De concreto, só existe um relatório, que apresentaria mais questões em aberto do que propostas definitivas.

"Estamos analisando as vantagens e desvantagens", esclarece a assessora de comunicação do comissário Lamy. Arantxa González ressalta que a eventual criação de um selo europeu não será necessariamente obrigatória, podendo ter caráter voluntário.

"Rejeitamos qualquer proposta que introduza de forma obrigatória um selo europeu", avisa Henrike Vieregge, da Confederação da Indústria Alemã. "Mesmo em um regulamento de adesão voluntária vemos mais desvantagens que vantagens", acrescenta o assessor jurídico da BDI.

Argumentos a favor e contra

O comissário Lamy seria favorável à introdução do selo comum. Arantxa González lembra que alguns fabricantes já identificam seus produtos como Made in EU, ou seja, European Union. Por outro lado, haveria mercadorias, como tecidos, vindas da Tailândia e Índia e vendidas como Made in Germany ou Made in Italy, argumenta a porta-voz. Lamy quer "combater o uso fraudulento das identificações de origem", afirma a espanhola.

"Vemos uma grande quantidade de vantagens", admite Arantxa. Entre os objetivos estaria contribuir para a imagem de unidade dos países da União Européia, tanto para seus próprios cidadãos quanto para os consumidores no exterior. Exatamente este ponto é atacado por Wally Olins, da Saffron Brand Consultants, com sede em Londres. Para o marqueteiro, reunir todos os produtos da UE ampliada sob o mesmo selo equivalerá a dizer "tudo é a mesma porcaria".

Críticas à Comissão

O Financial Times Deutschland procura mostrar compreensão com Bruxelas. "A motivação é compreensível, mas ela não justifica a medida", opina a edição alemã do diário britânico, que alerta: "Se a Comissão mantiver seu plano, dará respaldo aos críticos que acusam Bruxelas de sanha de regulamentar tudo e presunção de competência".

O Rheinische Post segue o pensamento, advertindo para a usurpação de valores nacionais. "Bruxelas deveria cuidar mais de sua reputação, caso contrário se dirá porventura: Primeiro eles nos tomaram o marco, depois Deus [na Constituição Européia] e agora também o Made in Germany", observa o diário alemão.

Identificação nacional já garantida

O documento da Comissão Européia procura tranqüilizar os críticos da idéia. Além da possibilidade de o selo vir a ser facultativo, os autores do estudo afirmam que uma eventual introdução do Made in the EU não impedirá que os fabricantes também acrescentem a referência nacional, tipo Made in Germany. Bruxelas lembra ainda que já existem inúmeras diretrizes européias, leis e normas nacionais que obrigam a identificação exata da origem, qualidade e outras características dos produtos.

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