UE adia retomada de negociações com a Rússia | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 13.10.2008
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

UE adia retomada de negociações com a Rússia

Falta consenso quanto à postura perante a Rússia. Enquanto uns, entre eles a Alemanha, defendem que se retome as negociações para acordo estratégico, outros criticam que retirada das tropas da Geórgia foi insuficiente.

default

Rússia pretende manter 7.600 soldados na Geórgia

A União Européia (UE) ainda não está disposta a retomar as negociações com a Rússia acerca de um futuro acordo de parceria e cooperação. Durante um encontro de ministros das Relações Exteriores do bloco nesta segunda-feira (13/10) em Luxemburgo, o chefe da diplomacia francesa, Bernard Kouchner, disse que ainda é cedo demais, já que a Rússia não cumpriu todas as exigências feitas pelo bloco com relação ao recente conflito no Cáucaso.

Em setembro, a UE suspendeu as negociações, iniciadas no último verão europeu, em protesto contra a atuação da Rússia na Geórgia. Mas Alemanha, Itália e Luxemburgo defendem a retomada do diálogo. "Temos que avaliar se estamos fazendo o bem a nós mesmos ao suspender as negociações", disse o secretário de Estado alemão para Assuntos Europeus, Günter Gloser, que representou o ministro do Exterior, Frank-Walter Steinmeier.

Frankreich Neues Kabinett Bernard Kouchner

Ministro francês, Bernard Kouchner: 'cedo demais'

Afinal de contas, o acordo não é um favor à Rússia, mas também do interesse europeu, levando em conta que ela é o maior fornecedor de petróleo e gás natural da Europa. No entanto, Reino Unido, Suécia, Áustria, Polônia e os países bálticos alegam que o Kremlin ainda não cumpriu as condições exigidas, lembrando que Moscou pretende manter 7.600 soldados na Ossétia do Sul e na Abkházia.

Antes do conflito, o contingente russo na região não passava de 2.000 soldados. Para o ministro sueco do Exterior, Carl Bildt, isso é uma prova de que a Rússia não cumpriu completamente o acordo de paz que assinou. "Há áreas hoje ocupadas onde os russos não estavam antes de 7 de agosto", afirma.

A decisão final será tomada pela Comissão Européia, que para isso precisa obter a aprovação dos 27 países-membros. O encarregado da Política Externa e Segurança Comum da UE, Javier Solana, conta com uma decisão já na próxima cúpula de chefes de Estado e governo do bloco nesta quarta e quinta-feira (15 e 16/10) em Bruxelas. A ministra austríaca do Exterior, Ursula Plassnik, exige que o bloco aguarde um sinal positivo da Rússia.

Também a comissária européia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, alerta para atitudes precipitadas. "Temos tempo até 14 de novembro, quando acontecerá a cúpula UE-Rússia."

Aproximação a Belarus e Uzbequistão

Se por um lado a UE mantém frias as relações com a Rússia, por outro sinalizou uma aproximação ao Uzbequistão ao eliminar as proibições de visto para oito altos responsáveis uzbeques, suspensas há um ano como forma de protesto ao uso indiscriminado e desproporcionado da força durante o massacre de Andijan em 2005.

Entretanto, segundo a UE, apenas um dos oito políticos em questão continua no poder. A Alemanha vinha defendendo uma aproximação ao país, de importância estratégica devido à sua riqueza em gás natural. No entanto, a UE prolongou por mais um ano o embargo às exportações de armas e equipamentos militares.

Os ministros da UE também decidiram recompensar Belarus, suspendendo parcialmente algumas de suas sanções contra o regime do presidente Alexander Lukashenko. O país, que a UE e os EUA haviam punido por violação aos direitos humanos, libertou presos políticos e não se posicionou ao lado da Rússia no conflito no Cáucaso.

Nos próximos seis meses, a UE permitirá a emissão de vistos europeus para 41 personalidades da ex-república soviética que estavam impedidos de entrar no espaço comunitário, entre eles o próprio Lukashenko. Seus bens, no entanto, continuam congelados.

Leia mais