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Futebol

Ucrânia surpreende em organização da Eurocopa

A Eurocopa na Polônia e na Ucrânia acabou. Apesar dos cenários de horror concebidos especialmente para a Ucrânia, o grande evento transcorreu sem problemas. Mas o caso da política presa Timoshenko continua sem solução.

Horas e horas de espera nos postos de fronteiras; ruas esburacadas, onde dirigir só é possível a 20 km/h; bandidos à espreita de turistas estrangeiros; preços astronômicos de hotéis: a mídia europeia e principalmente a imprensa alemã advertiram de tudo isso antes do início da Eurocopa.

No entanto, Harald Pistorius, responsável pela redação de esportes do diário Neue Osnabrücker Zeitung, disse não ter vivenciado nada disso. "Não acreditem em ninguém que escreva sobre outro país e queira assustá-lo", disse Pistorius sobre o Campeonato Europeu de Futebol, cuja partida final foi jogada em Kiev, capital da Ucrânia, neste domingo (1°/07).

Durante as últimas quatro semanas, Pistorius viajou mais de 7 mil quilômetros. De automóvel ou avião, ele visitou a maioria dos locais de competição na Polônia e na Ucrânia. A viagem lhe proporcionou algumas surpresas. Sua conclusão: "Foi excelente em ambos os países."

Em vez de horrores, experiências maravilhosas

"Surpresa" é provavelmente a melhor palavra para descrever a impressão desta primeira Eurocopa na Europa Oriental. O jornalista Pistorius admite que as reportagens da mídia antes do torneio também despertaram seu preconceito. Mas, em vez dos cenários de horror descritos, o jornalista disse ter vivenciado "histórias encantadoras" no local.

Histórias de torcedores que teriam se perdido e chegado a um vilarejo ucraniano, onde foram acolhidos e alimentados pela comunidade local, para então juntos assistirem a uma partida da Eurocopa num velho televisor. Ou histórias de torcedores com crianças pequenas que viajaram sem problemas de trem ou com trailers através da Ucrânia.

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Festa de encerramento da Eurocopa em Kiev

Também a federação europeia de futebol, Uefa, pode respirar aliviada. Os maus agouros não se concretizaram. Estádios, aeroportos e hotéis, tanto na Polônia quanto na Ucrânia, passaram claramente no teste da Eurocopa. Os temidos ataques de hooligans não aconteceram, com algumas poucas exceções. Os europeus descobriram à sua porta "um país confortável e amigável", resumiu a revista de notícias de Kiev Korrespondent.

Ainda não se sabe precisamente quantos estrangeiros visitaram a Ucrânia durante o Campeonato Europeu de Futebol. De acordo com estimativas preliminares, foram alguns milhões. A maioria foi provavelmente de turistas da vizinha Rússia, que estiveram presentes especialmente em cidades com Donetsk e Kharkiv, no leste da Ucrânia. O número relativamente pequeno de torcedores da Europa Ocidental na Ucrânia parece ter sido uma das maiores surpresas desse torneio. Aqui também não estão disponíveis dados exatos.

Visita relâmpago em vez de viagem exploratória

Proprietários ucranianos de bares e hotéis fazem um primeiro balanço desalentador da Eurocopa. Um camping próximo a Kiev com espaço para 3 mil lugares teve uma taxa de ocupação de somente 10%. O mesmo deve ter acontecido em outros locais da Eurocopa. Em vez de quartos de hotel, muitos torcedores preferiram alugar apartamentos de particulares. "Eu não queria pagar por quartos de hotel escandalosamente caros", disse um torcedor finlandês a um correspondente da Deutsche Welle em Kiev.

O pernoite num alojamento privado próximo ao estádio custou somente 50 euros. "Estou satisfeito", disse o torcedor. A Ucrânia esperava que o Campeonato Europeu de Futebol divulgasse o país, até então quase ignorado como destino turístico. Este objetivo, obviamente, não foi alcançado, acredita Pistorius.

Dissuadidos pelos meios de comunicação, muitos torcedores fizeram somente visitas relâmpago, afirmou o repórter esportivo alemão: "Eu conheço muitos que vieram de ônibus da região do Ruhr, atravessaram a fronteira até Lviv [Ucrânia], beberam três cervejas na área reservada aos torcedores. Então foram para o estádio, assistiram ao jogo e voltaram de noite". Não se pode falar aqui de uma "viagem exploratória pela Ucrânia", disse Pistorius.

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Cartaz condena a repressão política na Ucrânia

Ameaça de boicotes sem consequências

O que mais surpreendeu o jornalista alemão, no entanto, foi o clima político na Ucrânia. Como na mídia alemã muito se relatou, antes da Eurocopa, sobre os controversos processos contra ex-funcionários do governo e especialmente contra a ex-primeira-ministra Julia Timoshenko, Pistorius esperava achar um clima de protesto. "Eu não o encontrei", salientou. "Existe uma leve atitude conformista, sob o lema: nada vai mudar mesmo."

Segundo dados do governo ucraniano, o país teria gastado mais de 4 bilhões de euros na Eurocopa. Não se sabe quanto dinheiro entrou através do turismo e da publicidade. Mas há algo muito valioso, que não se pode pagar com dinheiro: mesmo que o número de torcedores europeus não tenha sido tão grande quanto esperado, o torneio de futebol aproximou as pessoas dentro do próprio país.

Seja em Lviv, no oeste ucraniano, ou em Donetsk, na fronteira leste com a Rússia – por todos os lugares, os ucranianos balançavam sua bandeira azul-amarela e usavam camisetas da seleção nacional. Isso nem sempre foi assim.

"Nesta Eurocopa, as pessoas se sentiram como cidadãos de um país unido", disse o professor de Sociologia de Kiev Valery Khmilko. Para um país como a Ucrânia, que existe como Estado independente somente há 21 anos e até hoje se encontra dividido, política e culturalmente, entre leste e oeste, isto é particularmente importante, acresceu Khmilko.

Autor: R. Goncharenko / Lilya Grishko (ca)
Revisão: Roselaine Wandscheer

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