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Mundo

Ucrânia retoma "operação antiterrorista" contra separatistas no leste

Tropas do governo em Kiev avançam em cidades tomadas por pró-russos e confrontos deixam mortos. Primeiro-ministro Yatsenyuk diz que conflito violento em Odessa faz parte de plano da Rússia para "destruir a Ucrânia".

O governo da Ucrânia expandiu neste domingo (04/05) a "operação antiterrorismo" contra grupos pró-russos no leste do país. O chefe do Conselho de Defesa e Segurança Nacional, Andriy Parubiy, afirmou que as Forças Armadas estão expandindo as operações em outras cidades "onde os extremistas e terroristas realizam atividades ilegais".

Em Kramatorsk, no leste ucraniano, tropas do governo tomaram de volta a torre de televisão que estava sob poder dos insurgentes. Segundo a imprensa estatal russa, morreram na operação 12 pessoas, inclusive dois soldados.

Também houve ações em Lugansk, onde pelo menos um separatista foi morto e dois ficaram feridos em um tiroteio, segundo o ministro do Interior Arsen Avakov. Em Mariupol, tropas invadiram um prédio público, ocupado há dias pelos rebeldes. "Seguiremos avançando contra os extremistas e terroristas que ignoram as leis e colocam em perigo a vida dos cidadãos", afirmou Avakov.

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Ativistas pró-russos em Lugansk

A "operação antiterror" é implementada dois dias após um confronto violento entre grupos separatistas e governamentais em Odessa, no sul do país, no qual morreram pelo menos 42 pessoas, a maioria carbonizada num incêndio que destruiu o prédio de um sindicato. Este foi, até agora, um dos capítulos mais sangrentos desde o início dos conflitos entre pró-russos e pró-Kiev.

Em visita ao local da tragédia neste domingo, o primeiro-ministro interino ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, prometeu uma investigação "abrangente e independente" sobre o incidente, culpando os "ineficientes agentes locais da lei". Segundo Yatsenyuk, os confrontos da sexta-feira fazem parte de "um plano russo para destruir a Ucrânia".

Também neste domingo, cerca de 3 mil manifestantes pró-Rússia invadiram o centro de operações da polícia em Odessa. Armados com cassetetes, eles quebraram o portão do edifício e exigiram a libertação de companheiros. Houve choques com policiais.

O contra-ataque das forças de Kiev sobre os insurgentes – que têm sob seu poder diversos edifícios públicos em mais de dez cidades no leste da Ucrânia – concentra-se com mais intensidade nas proximidades da cidade de Slaviansk. Nela 12 militares ocidentais e ucranianos eram mantidos "prisioneiros de guerra" dos separatistas. Eles foram libertados no sábado, após oito dias de sequestro.

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Feridos num hospital de Odessa

Troca de acusações

A Rússia exigiu neste domingo uma reação decidida da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e do Conselho da Europa à "operação antiterrorista" de Kiev. O ministro russo do Exterior, Serguei Lavrov, pediu ao secretário americano de Estado, John Kerry, que os EUA usem de sua influência para acabar com o que os russos consideram ser uma "guerra dos ucranianos contra seu próprio povo". Lavrov disse ainda que as operações militares no país vizinho estão levando a um "conflito fratricida".

No sábado, o Kremlin tinha classificado como "um absurdo" a realização de eleições presidenciais na Ucrânia em 25 de maio, diante da onda de violência que o país atravessa.

Washington por sua vez, considera que Moscou deveria empregar mais sua influência sobre os rebeldes separatistas para reduzir a tensão e os confrontos violentos na Ucrânia. O presidente americano, Barack Obama, já ameaçou os russos com duras sanções econômicas, caso continuem tentando desestabilizar o país vizinho às vésperas da escolha de um novo presidente.

Autoridades em Kiev culpam a Rússia por fomentar o caos no leste da Ucrânia, onde separatistas pretendem realizar um referendo – não reconhecido pelo governo central – para avaliar a independência da região.

MSB/afp/ap/dpa

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