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Alemanha

Uau, que legal!

Quem foi que disse que lugar de criança é só na escola? A Universidade de Bonn oferece aulas com temas acadêmicos especialmente para a garotada. O sucesso é tanto que quem não chega cedo acaba ficando em pé.

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Uma aula bem diferente

Os olhos do professor universitário brilharam quando o garoto se aproximou, estendeu um caderno, uma caneta, e, timidamente, pediu um autógrafo. Este talvez tenha sido o reconhecimento mais marcante, mas não foi o único. O aplauso entusiasmado e sincero dos mais de 200 baixinhos que lotaram o Deutsches Museum de Bonn confirmou o sucesso de mais uma aula acadêmica.

Sentadas nas cadeiras, espalhadas pelo salão, amontoadas nas escadas e na ala superior do museu, as crianças passaram os 45 minutos interessadíssimas na incursão pelo mundo da física, para descobrir quão grande é o menor buraco do mundo.

Kindervorlesung

Aula para crianças no Deutsches Museum em Bonn

Quem diria que a abordagem de temas tão complexos quanto nanociência, nanotecnologia, microscópio de tunelamento com varredura (STM), moléculas, átomos, cromossomos e DNA fossem prender a atenção dos baixinhos? Pois ao contrário do que se possa imaginar, eles estavam superatentos, participando ativamente da aula, levantando o dedo a cada pergunta, querendo dar opinião, mostrando que idade não é empecilho para assimilar temas complexos.

Descomplicar o difícil

A idéia de oferecer aulas acadêmicas gratuitas para crianças entre 8 e 12 anos foi da Universidade de Bonn, que organizou a programação incluindo diversas áreas de estudo. Com o apoio dos professores e do programa infantil Tigerenten Club, a tônica foi buscar enfoques curiosos e atraentes, com temas do tipo "Aventura pelo cérebro", "Quem é o melhor amigo do querido Deus?", "Existem alienígenas em Marte?", "Como um computador é capaz de reconhecer uma melodia".

É claro que as aulas não são ministradas de forma convencional. A didática continua sendo fundamental para manter o interesse dos alunos. A diferença está em saber aplicar o método de acordo com a faixa etária.

Prof. Dr. Wolfgang M. Heckl

Professor Wolfgang M. Heckl

"A arte está em fazer o complicado não parecer tão difícil. A natureza é muito complexa e o desafio é justamente apresentar este mundo de maneira simplificada", revelou Wolfgang Heckl, professor de geobiofísica da Universidade de Munique. Para sua aula no Deutsches Museum de Bonn, ele fez uso de um telão, trouxe objetos, cartazes, vídeo, computador, aparelho de som e até batatas. Sim, as batatinhas eram os átomos, sacou?

Mergulhando no universo infantil

O talento de conseguir mergulhar no universo infantil é ainda mais louvável em se tratando de professores universitários, acostumados a lidar com jovens que jamais achariam interessante segurar batatas como se fossem átomos. O contato entre mundos tão distintos é uma experiência enriquecedora tanto para os alunos quanto para o professor.

"Quando noto o entusiasmo das crianças, passo a ter uma motivação extra para dar aulas, volto a acreditar no valor da minha área de estudo. E isso é muito importante, pois eles são o nosso futuro" salientou Heckl, que talvez não tenha no seu dia-a-dia uma turma tão animada quanto a formada pela garotada.

De lá e de cá

A reação das crianças durante a aula foi um espetáculo à parte. Havia aquele garoto inteligente, sentado com uma das mãos apoiada no queixo em posição de profunda reflexão, que sempre fazia algum comentário pertinente, deixando evidente que tinha boas noções do tema. No meio do salão, espremido entre os coleguinhas, estava o simpático gordinho com uma câmera em punho, filmando o professor. Ocupado com a tarefa, ele provavelmente só irá saber de fato como foi a aula em casa, quando colocar a fita no videocassete.

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Aula para crianças no Deutsches Museum em Bonn

E que tal o garotinho magricela que não se continha e a cada pergunta do professor levantava bem alto o braço, mas nunca sabia a resposta? E a menininha que ficou literalmente de boca aberta? E o grupinho que discutia entre si sobre o som dos átomos ou a dança das moléculas? É mesmo, teve até um baile com os nucleotídeos do DNA humano, timina, adenina, citosina e guanina, representados pelas crianças.

Superlegal

No final da aula, a garotada aplaudiu, gritou, bateu os pés no chão em sinal de contentamento. Todos saíram com aquele sorriso no rosto, sentindo-se adultos, detendores de um conhecimento até então reservado somente aos mais velhos.

"Valeu", "adorei", "bacana mesmo", foram os comentários mais ouvidos. O professor não teve reação diferente: "Muito legal, se é que eu posso usar uma expressão das crianças. Sabe de uma coisa? Eu me diverti tanto quanto eles". Para encerrar, afinal, qual é o menor buraco do mundo? Um bit atômico. Aprenderam?

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