Turquia se prepara para onda sem precedentes de refugiados sírios | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 09.06.2011
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Mundo

Turquia se prepara para onda sem precedentes de refugiados sírios

Devido à persistente violência na Síria, o governo turco se prepara para receber até um milhão de refugiados do país vizinho. Conselho de Segurança da ONU inicia debates a respeito de uma resolução sobre a Síria.

Campo de refugiados sírios na Turquia

Campo de refugiados sírios na Turquia

Mil refugiados sírios chegaram à Turquia em um espaço de 24 horas, informou Metin Corabatir, porta-voz na Turquia do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados nesta quinta-feira (09/06). Relatos na mídia informam que a Turquia espera até um milhão de refugiados do país vizinho nas próximas semanas.

A agência de notícias turca Anadolu informou que, até agora, o número total de refugiados sírios no país gira em torno de 1,8 mil. Ancara espera a chegada de muitos outros, após o anúncio feito na quarta-feira pelo primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, de que as portas de seu país estariam abertas para os refugiados.

Desde o começo dos tumultos na Síria, em março último, mais de 1.100 pessoas foram mortas, segundo estimativas das Nações Unidas divulgadas nesta quinta-feira em Genebra. A alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, calcula que até 10 mil pessoas possam ter sido presas.

Resolução sobre a Síria


O ministro turco do Exterior, Ahmet Davutoglu, declarou na quarta-feira que a Turquia teria tomado as devidas precauções e que a situação dos refugiados estaria "sob controle". Ancara pretende a todo custo evitar uma tragédia semelhante à de 1991, quando centenas de milhares de curdos iraquianos fugiram das tropas do ditador Saddam Hussein. A Turquia estava despreparada e milhares de pessoas morreram nos campos de refugiados superlotados.

As pessoas fogem das forças de segurança sírias, que há meses agem com violência contra os manifestantes. Os opositores do regime exigem um fim do domínio de décadas da família Assad e demandam reformas democráticas.

Na localidade fronteiriça de Yayladagi, na província turca de Hatay, a organização humanitária não governamental Crescente Vermelho cuida dos refugiados provenientes da Síria. Já em abril, no curso da chegada dos primeiros 250 refugiados sírios, a organização de países muçulmanos associada à Cruz Vermelha Internacional montou um acampamento com cem tendas. Outras 900 ainda deverão ser erguidas.

Acampamento do Crescente Vermelho na fronteira entre Turquia e Síria

Acampamento do Crescente Vermelho na fronteira entre Turquia e Síria



Resolução da ONU

Na quarta-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas iniciou os debates com vista a uma resolução condenando a violência na repressão aos manifestantes na Síria. Alemanha, Reino Unido, França e Portugal pretendem aumentar a pressão sobre o presidente sírio, Bashar al-Assad. Diplomatas acreditam que o projeto de resolução deverá ser votado nesta sexta-feira.

Enquanto o Ocidente defende uma rápida aprovação da resolução, a Rússia e a China, países com direito de veto no Conselho de Segurança, reiteram sua rejeição. Outras nações, como Brasil, Índia e África do Sul, agem com reservas.

Mais violência

Na Síria, é provável que as lideranças do país estejam preparando uma grande ofensiva contra os opositores do regime na província de Idlib, no noroeste do país. O site de notícias próximo do governo Damas Post informou nesta quinta-feira que os habitantes da região teriam abandonado as cidades e vilarejos da província, para que o Exército tenha carta branca na perseguição de oposicionistas.

Entre 800 e 2 mil combatentes, entre eles, "homens e mulheres conhecidos por seu extremismo religioso" se preparam para uma batalha, disse o site. Os habitantes teriam pedido aos soldados que agissem "sem piedade" contra esses extremistas, que no início da semana teriam matado 120 soldados e policiais no vilarejo de Jisr al Shogur, informou a página de internet.

Os opositores do regime na região, alguns dos quais já fugiram para a Turquia, informaram por outro lado que os soldados teriam atirado em manifestantes no vilarejo e humilhado os habitantes do local. Em seguida, teria havido um confronto entre os próprios soldados, já que alguns teriam se recusado a obedecer ordens de matar concidadãos, assinalaram os críticos ao regime.

CA/dpa/afp
Revisão: Roselaine Wandscheer

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