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Alemanha

Turismo doméstico lucra com medo de atentados

Os alemães começam a desistir de uma de suas ocupações prediletas: viajar pelo mundo.

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Avião, confiança em xeque

Um estudo divulgado recentemente por uma grande seguradora alemã revela que os alemães nunca tiveram tanto medo como hoje. O que mais aumentou, em comparação com estudos anteriores, é o medo da violência dos terroristas, que já ocupa o segundo lugar na escala dos temores.

Países islâmicos em baixa

As estatísticas confirmam o retrocesso no movimento para o exterior: dos alemães que viajaram no primeiro semestre deste ano, 63% o fizeram dentro do país. Para o professor de turismo Karl Born, uma das principais razões para essa opção é justamente o medo de se tornar alvo de um ataque terrorista. Se já era difícil subir num avião despreocupadamente, depois de 11 de setembro de 2001, "o atentado em Djerba (Tunísia) levou as pessoas a pensar duas vezes, antes de viajar para uma determinada região", afirma.

É sobretudo em relação aos países islâmicos que a reserva dos alemães mais se faz sentir: a Tunísia recebeu este ano 37% menos turistas provenientes da Alemanha; para o Marrocos, foram 25% menos alemães do que de costume. O Egito registra um recuo de mais de 10%.

Como lidar com o medo dos turistas?

Quem viaja de avião é testemunha de que as medidas de segurança mudaram, depois do 11 de setembro, tanto nos aeroportos, onde o controle de passageiros e bagagem se tornou mais rigoroso, quanto a bordo. Algumas companhias aéreas transportam guardas armados, nos vôos de linha, e muitas treinaram a tripulação para prestar assistência especial a passageiros que se sintam inseguros.

Já outras empresas do setor turístico negligenciam esse aspecto, na opinião do professor Born: "Seria necessário que as operadoras de viagem e os hotéis também lidassem de forma mais ofensiva com o tema", considerando que o terrorismo e o risco que ele representa são hoje um elemento real da vida, que todo mundo reconhece", argumenta.

Na verdade, os representantes do setor ainda não encontraram a forma de lidar com o medo dos viajantes. "Ninguém quer passar as férias dentro de uma ala de alta segurança", argumenta Klaus Laepple, presidente da Associação da Indústria Turística da Alemanha, explicando por que o setor hesita em tomar medidas nesse sentido.

As operadoras preferem atribuir a recessão no setor à crise econômica generalizada. Seus planos mais imediatos são oferecer pacotes promocionais, descontos e, como no caso da Neckermann, a possibilidade de pagamento parcelado com juros módicos, o que é absolutamente inédito na Alemanha.

Quem sai lucrando, por enquanto, é o segmento do turismo doméstico, que vem registrando um crescimento considerável. Os pacotes mais procurados são os de férias no campo — principalmente para famílias com crianças —, ou nas praias do Mar do Norte, mesmo que estas não tenham palmeiras a oferecer.