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Mundo

Turbulências no caminho da Olimpíada

Denúncia de espionagem nos tempos da RDA malogra a estréia de Leipzig como candidata para a Olimpíada 2012 no Comitê Olímpico Internacional. Dirk Thärichen licenciou-se da firma Leipzig 2012 jurando inocência.

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Dirk Thärichen: «Vou processar autores desta campanha de difamação»

Dirk Thärichen, de 33 anos, é o perdedor da discussão sobre vantagens que teria obtido do Ministério de Segurança e Informação da ex-República Democrática Alemã (RDA), o famigerado Stasi, quando prestou serviço militar. Thärichen cedeu à pressão pública desencadeada por uma reportagem do jornal Die Welt. Ele anunciou seu afastamento da diretoria da Leipzig 2012 ao COI, em Lausanne, na companhia de Klaus Steinbach, presidente do Comitê Olímpico Nacional (NOK) e do Conselho Fiscal da empresa Leipzig 2012.

Uma delegação alemã está na Suíça para encontro de trabalho com os outros candidatos aos Jogos Olímpicos de 2012 – Rio de Janeiro, Nova York, Londres, Paris, Istambul, Havana e Moscou. No próximo dia 18, o Conselho de Fiscal da Leipzig 2012 vai decidir se aceita o pedido de afastamento de Thärichen e se coloca o ex-nadador Michael Gross em seu lugar.

Realizador da campanha nacional de Leipzig, bem sucedida sobre outras cidades alemãs, Thärichen foi acusado pelo jornal Die Welt de ter se alistado no regimento Felix Dzierzynski do Stasi, em setembro de 1989, e levado vantagem com seus serviços ao famigerado órgão de repressão do regime comunista, pouco antes da queda do Muro de Berlim. No regimento de elite da RDA, o hoje executivo queria prestar seu serviço militar de três anos, segundo o jornal. Nos últimos meses de 1989, ele teria recebido um soldo de 2.870 marcos orientais. Na época, Thärichen tinha 19 anos.

Caça às bruxas – Treze anos depois da reunificação das duas Alemanhas, o órgão encarregado da repressão na ex-RDA ainda é uma ameaça a carreiras e reputações, tanto da parte oriental quanto ocidental da Alemanha unificada. O último escândalo de suposta colaboração com o Stasi, antes de Thärichen, havia envolvido o jornalista e escritor polêmico Günther Wallraf, autor de Cabeça de Turco.

Nova vítima da série ininterrupta de escândalos do Stasi, Thärichen diz ter mencionado o seu serviço militar, como simples sentinela, na sua candidatura ao importante posto na empresa Leipzig 2012. E, conforme anunciou na sede do COI, vai processar "os autores da campanha de difamação", que provocaram um corte abrupto na sua carreira. Ele justificou o seu afastamento como um passo firme na intenção de trazer para a Alemanha os Jogos Olímpicos de 2012.

Acaso infeliz – Thärichen conta com muitas manifestações de apoio e compreensão, inclusive de Joachim Gauck, responsável durante anos pelo espólio do Stasi. "Eu não conheço os dossiês e em casos como este nunca exigi que se agisse de forma draconiana", disse Gauck. Ele ponderou que "este jovem (Thärichen) teve a infelicidade de servir num regimento do Stasi. Seria muito diferente se ele tivesse prestado serviços como colaborador inoficial".

Gauck recriminou a não diferenciação de casos, como o do rapaz de 19 anos, Thärichen, "porque isto prejudica uma revisão séria do passado". O governador da Saxônia, Georg Milbrandt, limitou-se a dizer que respeita a decisão de Dirk Thärichen.

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