1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Tsipras recorre à oposição para aprovar resgate

Terceiro acordo financeiro com credores internacionais é aprovado por grande maioiria no Parlamento, mas ruptura no Syriza e na coalizão do governo indicam que primeiro-ministro pode enfrentar em breve novas eleições.

Após uma noite de debates, o Parlamento grego aprovou, nesta sexta-feira (14/08), o novo acordo com os credores internacionais. Em um Parlamento dividido, o primeiro-ministro Alexis Tsipras obteve a vitória graças a vários votos de legisladores da oposição favoráveis ao pacote de resgate, de cerca de 85 bilhões de euros.

Dirigindo-se ao Parlamento antes da votação, Tsipras pediu aos legisladores que fizessem a "escolha necessária" para a nação grega, advertindo fortemente contra a opção de um empréstimo temporário, que recolocaria a Grécia "numa crise sem fim".

"Não me arrependo de ter escolhido por um compromisso em detrimento à dança heroica de Zalongo", disse Tsipras, se referindo ao suicídio em massa no século 19, no norte da Grécia, quando um grupo de mulheres e crianças preferiu pular de um precipício a se submeterem à ocupação otomana.

Uma maioria de 222 parlamentares aprovou o documento de 400 páginas, com 64 votos contrários, além de 11 abstenções. No entanto, a votação mostrou uma ruptura dentro do governo Tsipras. Somente 118 dos 162 membros da coalizão votaram a favor do acordo com as instituições internacionais – o terceiro em cinco anos.

Griechenland Ministerpräsident Alexis Tsipras im Parlament die Zeit läuft aus

Coalizão do governo estaria com tempo esgotado? Premiê Alexis Tsipras precisou de votos da oposição para aprovar o pacote de resgate financeiro

Ou seja, o apoio a Tsipras entre sua própria bancada esteve abaixo da margem limite de 120 parlamentares necessários no Legislativo de 330 assentos para governar o país.

Tsipras continuará a liderar o governo até a primeira remessa do resgate financeiro ter sido paga e, em seguida, deverá comparecer perante o Parlamento para pedir por um voto de confiança. A oposição conservadora Nova Democracia já anunciou que não votará a favor do premiê.

Além disso, parlamentares antiausteridade do próprio partido de Tsipras, o Syriza, sinalizaram que vão pedir por eleições antecipadas já no próximo mês.

"A luta contra o novo resgate começa hoje, através da mobilização de pessoas em todos os cantos do país", disse um comunicado assinado por Panagiotis Lafazanis, ex-ministro de Tsipras, e outros 11 membros do Syriza.

"Sinto-me envergonhado por você", disse Lafazanis, olhando em direção a Tsipras durante o debate parlamentar. "Nós já não temos mais uma democracia, mas uma ditadura da zona do euro", concluiu.

Na votação, ao menos 40 partidários do Syriza, entre eles o ex-ministro das Finanças Yanis Varoufakis, se recusaram apoiar o acordo de três anos.

Dívida vence em uma semana

Atenas e credores chegaram ao acordo na terça-feira, após 23 horas de reunião. O acordo prevê cortes de gastos e aumento de impostos. Na quinta-feira, o ministro das Finanças grego, Euclid Tsakalotos, havia ressaltado a urgência da aprovação do acordo pelo Parlamento em Atenas para que os ministros das Finanças da zona do euro pudessem discuti-lo ainda nesta sexta-feira.

A votação em Atenas, no entanto, teve um atraso devido a uma disputa processual. A chefe do Parlamento, Zoe Constantopoulou, queria impedir a votação, classificando o pacote de resgate como inconstitucional.

"Cada esquina e beleza da Grécia está sendo vendida. O governo está entregando as chaves à troica, juntamente com a soberania e bens nacionais", disse ela, se referindo aos credores gregos – União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional.

O pacto ainda precisará passar por uma série de parlamentos, incluindo o alemão. A conclusão do acordo abrirá caminho para a Grécia liquidar uma dívida de 3,2 bilhões de euros com o BCE, que vence na próxima quinta-feira. Caso Atenas não honre o débito, o BCE pode cortar a ajuda ao país, o que poderia significar o colapso da economia grega.

Ainda na quinta-feira, o FMI pressionou a Europa por um alívio da dívida grega. A instituição afirmou que só tomará uma decisão sobre conceder mais ajuda à Grécia depois que passos sejam tomados para tornar a dívida mais sustentável.

PV/afp/dpa/ap/rtr

Leia mais