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Mundo

Tsipras enfrenta resistência dentro do próprio partido

Depois de concordar com medidas de austeridade que vão contra o que ele mesmo prometera na campanha eleitoral, primeiro-ministro vê apoio dentro do próprio partido cair e deve aprovar pacote com votos da oposição.

O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, enfrenta uma crescente oposição dentro do próprio partido depois do acordo com os credores europeus sobre um terceiro pacote de resgate para o país, no qual ele fez concessões em favor de medidas de austeridade e reforma que contrariam promessas de sua campanha eleitoral.

Nesta terça-feira (14/07), Tsipras conduzirá reuniões com membros do seu partido, o radical de esquerda Syriza, antes de o Parlamento da Grécia iniciar dois dias de debates sobre o acordo fechado em Bruxelas, que prevê aumento de impostos, cortes nas aposentadorias, privatizações e flexibilizações no comércio, como a abertura aos domingos. O premiê enfrenta a difícil tarefa de "vender" aos seus correligionários o pacote que foi obrigado a aceitar em Bruxelas.

O líder do partido minoritário na coalizão de governo, Panos Kammenos, chamou o novo acordo de "um golpe" comandado pela Alemanha. "Não podemos aceitar a proposta vinda de Bruxelas", afirmou o líder do Anel, que também é ministro da Defesa. Cerca de 30 dos 149 parlamentares do Syriza deverão votar contra o governo. Muitos deles participaram de reuniões para discutir o acordo ao longo da noite passada.

O Syriza chegou ao poder em janeiro, depois de uma campanha eleitoral centrada na promessa de acabar com cinco anos de austeridade, originada dos dois pacotes de resgate anteriores. Depois da cúpula em Bruxelas, Tsipras tentou defender o novo pacote, afirmando que foi o melhor que ele pôde obter. Muitos analistas, porém, afirmam que as medidas são ainda mais duras que as rejeitadas pela população em referendo, há poucos dias.

A imprensa grega especula que Tsipras poderá reformular o governo, isolando a ala mais à esquerda do partido. Entre os ministros que devem deixar o cargo estão o da Energia, Panagiotis Lafazanis, e o do Social, Dimitris Stratoulis, considerados os líderes do setor de esquerda do Syriza e que comandam um grupo de cerca de 40 deputados. O vice-ministro do Exterior, Nikos Chountis, renunciou logo após o anúncio do terceiro pacote de resgate.

Já a oposição declarou apoio a Tsipras. Os líderes dos dois maiores partidos, o Nea Dimokratia e o Potami, disseram que vão ajudar a aprovar as medidas de austeridade na votação desta quarta-feira no Parlamento. Se os deputados do Syriza negarem seu apoio e o governo conseguir aprovar o plano acertado em Bruxelas com os votos da oposição, Tsipras estará, na prática, no comando de um governo de minoria.

O sindicato Adely convocou uma paralisação de 24 horas dos servidores públicos para esta quarta-feira, dia da votação das primeiras propostas de reforma no Parlamento. Nesta segunda-feira à noite houve um protesto na Praça Syntagma, que reuniu cerca de 700 pessoas, segundo cálculos da polícia. Os manifestantes exibiram cartazes contra o novo acordo, com dizeres como "Corte da austeridade, perdão das dívidas".

AS/rtr/afp

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