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Mundo

Tsipras defende "plano de transição" para Grécia

Ao apresentar programa do novo governo, primeiro-ministro grego insiste em acordo com credores para ganhar tempo até junho, diz que não estenderá pacote de resgate e promete ajuda aos mais afetados pela crise.

Negociar os termos de pagamento da dívida externa, atrair investimento privado e ajudar os gregos que sofreram com a crise são alguns pontos-chave do programa de governo da Grécia apresentado neste domingo (08/02) pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras, no Parlamento grego.

Duas semanas após tomar posse, Tsipras, da aliança de esquerda Syriza, rejeitou uma continuidade do resgate financeiro europeu ao país, que chegou a 240 bilhões de euros emprestados. Segundo ele, os planos de austeridade impostos pelo resgate foram "desastrosos" e "asfixiaram o país".

O premiê afirmou, porém, acreditar na possibilidade de acordo com os credores europeus e insistiu que Atenas precisa de um "programa de transição" até junho, quando então voltará a negociar com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Tsipras afirmou que a Grécia quer pagar a dívida, mas pretende negociar com os parceiros europeus os termos e as condições desse pagamento, para que não afetem a soberania nacional, segundo ele. A dívida pública grega está estimada em 315 bilhões de euros.

"Queremos um programa de transição, que nos daria um espaço fiscal que uma negociação sincera requer", disse Tsipras diante dos parlamentares.

Em uma hora e meia de discurso, o esquerdista Tsipras disse que vai honrar seus compromissos de campanha e elencou algumas medidas internas. Entre elas, a criação de um plano para lutar contra uma "crise humanitária" no país, fornecendo gratuitamente alimentação e eletricidade, assim como acesso aos serviços de saúde aos que foram mais afetados pela crise.

Ele destacou ainda o aumento do salário mínimo de 580 euros para 750 euros até 2016, além da recontratação de trabalhadores públicos exonerados em desacordo com a lei e a reativação da televisão pública grega ERT, cujos trabalhos haviam sido encerrados em junho de 2013. Entre os funcionários públicos que devem ser beneficiados estão servidores da área de limpeza, funcionários de universidades e seguranças de escolas.

Entre as medidas com um valor simbólico em tempos de crise estão a redução do número de viaturas oficiais do Governo, corte nos "privilégios" dos deputados e no "exército de assessores". Tsipras comprometeu-se ainda a lutar contra a corrupção e a evasão fiscal.

MSB/lusa/rtr

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