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Brasil

Troca no Itamaraty não afetará política externa, dizem analistas

Especialistas veem saída de Patriota como fruto de longo desgaste com Dilma e, apesar do mal-estar gerado pelo caso Molina, preveem câmbio sutil na linha política geral. Imprensa estrangeira fala em "fiasco diplomático".

A queda do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, não deve significar uma grande mudança na política externa brasileira, na opinião de especialistas ouvidos pela DW. O chanceler renunciou na segunda-feira (26/08) ao cargo, como consequência do envolvimento brasileiro na fuga do senador boliviano Roger Pinto Molina. E seu substituto será Luiz Alberto Figueiredo, atual representante do Brasil na ONU, posto que passará a ser ocupado pelo próprio Patriota.

"A política externa brasileira tem uma continuidade muito grande, uma história de décadas de linha diplomática em que o entra e sai geralmente causa pouca mudança", avalia o cientista político Tim Wegenast, pesquisador no think tank Giga Institut, de Hamburgo, e professor da Universidade de Konstanz. Entretanto, ele acredita ser possível que haja uma ligeira correção de curso no estilo do Itamaraty.

"Poderá haver mudanças em algumas nuances, em toques pessoais", admite. "Patriota seguia uma linha mais discreta, diferente do antecessor, Celso Amorim, que tinha um perfil polêmico. Figueiredo deve continuar no rumo de Patriota, mas é possível que seja um pouco mais agressivo", opina.

"Punição" branda

"Não vejo a troca de ministros do Exterior ligada a uma perspectiva de mudança, já que a política externa do país está muito fortemente ligada a uma continuidade institucional", concorda o cientista político Peter Birle, do Instituto Ibero-Americano, de Berlim.

Roger Pinto

Senador Roger Pinto: pivô de crise diplomática entre Brasil e Bolívia

"Patriota assumiu a responsabilidade no caso do senador boliviano, que foi uma história infeliz para ele e o governo brasileiro. Mas não vejo motivo para muita mudança. Tanto que a substituição foi feita numa espécie de carrossel, em que Patriota vai para a ONU e o representante da ONU, por sua vez, assume o posto de ministro das Relações Exteriores", observa Birle.

Wegenast classifica o motivo da queda de Patriota como a "gota d'água" na relação pouco harmoniosa dele com a presidente Dilma Rousseff durante o período de mais de dois anos e meio em que ficou no cargo.

"A relação estava desconfortável há muito tempo. O caso foi só um motivo para a Dilma demití-lo", observa. "O atrito entre os dois ficou claro em uma série de ocasiões, como por exemplo, no episódio da entrada da Venezuela no Mercosul em que eles divergiam", ressalta.

O analista também não vê consequências quanto à relação entre Brasil e Bolívia. "O Brasil é importante demais para o governo Morales. Até nesse caso, as reações foram até bastante brandas. Mesmo o governo boliviano chegou a afirmar que a situação deve ser resolvida na diplomacia", ressalta.

"Manobra embaraçosa"

O afastamento de Patriota foi noticiado como consequência de um "fiasco diplomático" pelo jornal britânico The Guardian. O periódico classificou o caso da fuga do senador boliviano como uma "manobra diplomática embaraçosa", opinião compartilhada por parte da imprensa internacional.

O americano The Wall Street Journal noticia a saída de Patriota como uma "demissão" e ressalta que "a presidente Dilma removeu Patriota, em parte, porque ela só soube" da fuga do político boliviano "quando ele já estava no Brasil".

O diário comenta ainda que a controvérsia com a Bolívia "ilustra o papel diplomático complicado do Brasil, após o crescimento de sua influência como potência econômica e maior país da América do Sul". Morales, prossegue o jornal, é um "aliado do governo de esquerda do Brasil, e o Brasil tem procurado ficar de fora da política boliviana".

Muitos no Brasil duvidam que o "desfecho espetacular" do episódio envolvendo o senador Roger Pinto Molina "realmente tenha ocorrido sem conhecimento" do Ministério das Relações Exteriores, sublinha o diário alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung.

A publicação destaca que, com a demissão do chanceler, a presidente brasileira tenta apaziguar o relacionamento com o aliado Morales e, ao mesmo tempo, fornecer um "posto respeitável" a Patriota, impondo uma "punição leve" ao diplomata.

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