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Alemanha

Troca de desaforos e ataques pessoais

Cenas turbulentas e ataques pessoais dominam debate sobre o orçamento, no Parlamento em Berlim.

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Chanceler federal, Gerhard Schröder, trava duelo verbal

Em vez do discurso de sangue, suor e lágrimas cobrado por correligionários social-democratas nos últimos dias, o chanceler federal travou um duelo verbal com a oposição, a qual acusou de baixo nível, de fazer algazarra e difamações pessoais. Schröder exigiu até que a líder da bancada conjunta democrata-cristã (CDU) e social-cristã (CSU), Angela Merkel, fizesse sua turma calar a boca. Em contrapartida, a oposição qualificou o governante recém-reeleito como inimigo em vez de adversário político.

Schröder anunciou mais reformas estruturais no sistema social, que sofreu cortes consideráveis no governo democrata-cristão e liberal do seu antecessor Helmut Kohl. Ele prometeu, todavia, que a coalizão social-democrata e verde vai considerar a justiça social nas reformas planejadas. Apoiou, ao mesmo tempo, o seu ministro das Finanças, Hans Eichel, que havia anunciado novos cortes na rede social na véspera do debate. A oposição conservadora vem exigindo a renúncia do ministro nos últimos dias.

Base para reformas estruturais

As novas leis do sistema de saúde, do mercado de trabalho e da aposentadoria, que os social-democratas e verdes planejam aprovar em caráter de emergência, visam exclusivamente a estabilidade e criar as bases para as reformas estruturais, esclareceu o chefe de governo. Ele defendeu mais transparência e concorrência no sistema de saúde. A propósito, perguntou onde estaria escrito que não pode haver concorrência entre as farmácias. Os setores médicos vêm protestando contra as reformas. Vez por outra o setor protagoniza um escândalo nacional. O último foi o de próteses dentárias baratas importadas da China e cobradas dos seguros de saúde como se fossem as caras de fabricação alemã.

A coalizão de governo foi bem sucedida com a introdução da aposentadoria particular fomentada pelo Estado, mas isso ainda não surtiu efeito e já é evidente que o sistema de aposentadoria tem de passar por uma reforma. Uma comissão de nome Rürup vai examinar os ajustes necessários e considerar o principio de justiça de gerações, prometeu Schröder. Ele manifestou ceticismo com a proposta para aumentar a idade real de aposentadoria, que atualmente é de 60 anos. O limite é de 65 anos tanto para homens quanto para mulheres.

Egoísmo & fatalidade

O chefe de governo apelou para a oposição deixar o egoísmo político de lado e cooperar para aprovação da reforma da aposentadoria e do mercado de trabalho na câmara alta do Legislativo (Bundesrat), pois "uma rejeição seria fatal para o país". A do mercado de trabalho visa combater o desemprego que atinge mais de 4 milhões de pessoas ou mais de 9% da população economicamente ativa. A oposição tem maioria no Bundesrat.

O tema desemprego esquentou o debate sobre o orçamento e o nível da oposição baixou a um nível inédito, conforme a avaliação que Schröder fez da parte relativa à Comissão Parlamentar de Inquérito sobre Fraude Eleitoral. A oposição acusa o chefe de governo de ter feito promessas falsas e mentido sobre a situação real das finanças públicas durante a campanha para a eleição em que sua coalizão foi reeleita, em 22 de setembro.

Acuado e sem liderança

Em sua réplica, a líder oposicionista Merkel acusou Schröder e o seu governo de prejudicarem o desenvolvimento econômico da Alemanha. Ela também atacou o chefe de governo pessoalmente, dizendo que ele transmite a impressão de que é um homem acuado e não pode fazer nada mais além de suspeitar da oposição. O chefe de governo não poderia reclamar do tom do debate atual, segundo ela, porque ele teria sido agravado pelo próprio Schröder, na campanha eleitoral, com ataques pessoais ao candidato democrata-cristão à chefia do governo, Edmund Stoiber.

O empresariado nacional também mostrou-se decepcionado com o discurso de Schröder. Este não pode fomentar uma coalizão de sensatos sem antes encaminhar reformas concretas, disse o presidente das Câmaras de Indústria e Comércio, Ludwig Georg Braun. As de emergência anunciadas pelo chefe de governo não bastam para reativar a economia, disse ele, acrescentando que têm de ser atacados não só os sintomas mas também as causas da fraca conjuntura. Na sua opinião, o problema é doméstico, porque o governo desistiu de reformas estruturais.

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