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Alemanha

"Triunfo dos apolíticos"

Para a imprensa, eleição presidencial alemã não teve surpresas. Vitória do economista Horst Köhler espelha momentânea relação de forças partidárias no país.

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Presidente eleito é aplaudido pela Assembléia Nacional

A imprensa alemã e européia não vê a eleição do ex-diretor do FMI à presidência da Alemanha como sinal claro para uma troca governo em Berlim. Segundo o jornal Süddeutsche Zeitung, "a eleição de Horst Köhler à presidência da Alemanha foi, sobretudo, um acontecimento matemático. O novo presidente federal representa, principalmente, a vontade de liderança da presidente da União Democrata Cristã (CDU), Angela Merkel, e não um movimento popular. O que funcionou foram os tradicionais mecanismos de poder e disciplina partidária. O país tem um presidente que ainda precisa conhecer".

Na opinião do jornal sediado em Munique, a maioria obtida pela oposição (CDU, CSU e FDP) na eleição presidencial de domingo (23/05), não basta para derrubar à própria força o atual governo federal alemão (SPD e Verdes). "A eleição é apenas um retrato da situação política momentânea: o governo tem maioria no Parlamento (Bundestag), mas, em função do poder da oposição nos estados, simbolizado no Bundesrat e na Assembléia Nacional, encontra-se de fato na situação de um governo de minoria, que não pode ser derrubado".

Erosão do poder

Uma análise semelhante é feita pelo editorialista do Der Tagesspiegel, de Berlim. "A maioria a favor de Köhler mostra a relação de forças políticas na Alemanha e resulta, principalmente, da erosão do poder dos social-democratas e verdes no governo. Não há, porém, nenhuma sensação de mudança, de alternativa no ar".

Segundo o jornal econômico Financial Times Deutschland, com a vitória de Köhler, a União Democrata Cristã (CDU), a União Social Cristã (CSU) e o Partido Liberal (FDP) sentem-se um passo adiante no caminho rumo à reconquista do governo. "Formalmente, a eleição presidencial não muda praticamente nada na relação de poder na Alemanha, mas ela foi uma demonstração de união dos partidos de oposição", conclui o jornal. A edição alemã do Financial Times também elogiou o Partido Social Democrata, por ter apresentado uma "personalidade tão original e independente" (Gesine Schwan) como candidata à presidência.

Patriota esclarecido

Para o jornal Die Welt, a eleição de Horst Köhler também não foi nenhuma surpresa. "Surpreendente foi, porém, a clareza de seu discurso. Diante da Assembléia Nacional, ele falou como "um patriota esclarecido, que realmente ama seu país e que não tem medo de dizer isso. Sua competência e seu "liberalismo compadecido" serão referência para quem quiser reformar este país", escreve o Die Welt.

Já o jornal Rheinische Post, de Düsseldorf, vê com um certo alívio o resultado da eleição presidencial. "A Alemanha finalmente se fará representar por um economista e, ainda por cima, um que conheceu os limites do capitalismo na América do Norte. Uma biografia assim tranqüiliza e liberta. Köhler quer mudar e não apenas representar o país. Ele planeja ser um presidente político", afirma o jornal.

Candidatos "apolíticos"

Essa opinião não é partilhada, por exemplo, pelo Neue Zürcher Zeitung. Para o jornal suíço, a eleição presidencial alemã foi "o triunfo dos apolíticos". "Não é um bom sinal para a situação política alemã, o fato de dois candidatos ao mais alto cargo do país se tornarem populares e queridos, por serem considerados "apolíticos". Tanto Köhler quanto Schwan ganharam o apoio da opinião pública ao ressaltarem que não pertencem à classe política que, na avaliação de muitos alemães, é responsável pela situação desolada do país".

Segundo o Corriere della Sera, da Itália, houve um "deslocamento dos pesos" políticos na Alemanha. "Com o sucesso de seu candidato, os democrata-cristãos e liberais cerram fileiras sob a liderança de Angela Merkel e iniciam a longa marcha rumo à reconquista do poder que, pelos seus planos, deve ocorrer no mais tardar nas eleições parlamentares de 2006", escreve o jornal italiano.

Para o de Volkskrant, da Holanda, as chances de eleição de uma mulher para a Chancelaria Federal alemã, pelo menos, não diminuíram. Com a eleição de Köhler, CDU, CSU e FDP mostram que estão formando uma nova maioria, mesmo que o governo de Gerhard Schröder ainda dure dois anos. Já o jornal liberal austríaco Der Standard não vê motivo para tanto otimismo por parte oposição alemã: "É vergonhoso que os líderes da CDU, CSU e do FDP interpretem a eleição de Köhler como sinal para uma troca de poder em Berlim", afirma.

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