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Mundo

Triunfo de Le Pen causa choque e medo na Europa

A Europa está em estado de choque com o triunfo do candidato ultradireitista da Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen, no primeiro turno da eleição presidencial da França, no domingo.

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Presidente Jacques Chirac é o virtual eleito no segundo turno, segundo as pesquisas.

A vitória parcial do político de posições racistas e anti-semitas despertou medo de um fortalecimento da extrema-direita na Europa. O chanceler federal da Alemanha, Gerhard Schröder, mostrou-se inquieto com o desempenho eleitoral do radical de direita francês. O político social-democrata alemão disse que "todos os democratas da Europa têm de evitar que alguém como Le Pen alcance a chance de exercer alguma influência política".

O que aconteceu na disputa pelo Palácio Eliseu é o prosseguimento de uma série de sucessos eleitorais da extrema-direita na Áustria, Itália e Dinamarca, como observou o ministro do Exterior da Bélgica, Louis Michel.

O seu colega da Alemanha, Joschka Fischer, viu o resultado do primeiro turno presidencial francês como "um alarme para toda a Europa", mas acha que a União Européia deve esperar o resultado do segundo turno, em cinco de maio, para depois pensar em providências. Em reação à participação do Partido da Liberdade do radical de direita Jörg Haider na coalizão de governo em Viena, em 1999, os 14 parceiros na União Européia suspenderam suas relações bilaterais com a Áustria.

Alarme e inquietação - A imprensa dos países vizinhos mostra-se alarmada e inquieta com o desempenho eleitoral do candidato dos radicais de direita franceses. Para parte da mídia isso equivale a um terremoto político. O jornal britânico The Sun escreveu que "este é o pior momento para a França desde 1939", numa referência à declaração de guerra do país contra a Alemanha, depois de Hitler ter invadido a Polônia.

"A França causa medo", escreveu o jornal liberal espanhol La Vanguardia. O suíço Berner Zeitung qualificou o triunfo de Le Pen como "um tapa na classe política francesa", enquanto o belga Le Soir escreveu que "o tapa foi na classe política européia". O diário holandês Volkskrant qualificou o resultado do primeiro turno como "um choque" e "uma mostra da rebeldia dos eleitores europeus ocidentais". Para o italiano La Republica "a França foi atingida por um raio", enquanto o compatriota La Stampa acha que "a ascensão política de Le Pen destruiu a fábula da douce France".

Wahlsieg für Präsidentaschaftskandidat Jean-Marie Le Pen in Frankreich

Jean-Marie Le Pen.

Holocausto - O jornal israelense Maariv perguntou "quanto ainda vai descer o país da liberdade, da igualdade e da fraternidade". O ministro israelense do Interior, Eli Jischai, aconselhou os judeus na França e fazerem suas malas e emigrarem para Israel.

Para Le Pen, o Holocausto (extermínio de seis milhões de judeus pela Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial) é um mero detalhe da História.

Frente anti-Le Pen - Depois do sensacional êxito eleitoral de Le Pen, está se formando na França uma ampla frente contra a direita radical. O Partido Socialista do primeiro-ministro Lionel Jospin, que foi derrotado na corrida para o Palácio Eliseu no primeiro turno e anunciou sua retirada da política, convocou uma frente contra o candidato da extrema-direita no segundo turno. Políticos de esquerda e também os verdes fizeram apelos pela reeleição do presidente de centro-direita Chirac.

Pela primeira vez na história da quinta República, desde 1958, os radicais de direita franceses conseguiram, com Le Pen, dar o pulo para o segundo turno. Chirac teve 19,67% dos votos no primeiro turno, Le Pen 17,02% e Jospin 16,07%. Segundo as pesquisas sobre intenção de voto, Chirac pode ter um vitória tranqüila sobre Le Pen no segundo turno dentro de duas semanas.