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Mundo

Trio harmônico: diferenças à parte

O presidente russo Vladimir Putin recebeu o premiê alemão e o presidente francês para o terceiro encontro em um ano. Temas foram a segurança no Iraque e a luta contra o terrorismo. Mas críticas foram barradas na entrada.

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Formalidades foram deixadas de lado

A conferência de cúpula entre os chefes de Estado da Alemanha, França e Rússia decorreu como um fim de semana entre amigos. Na segunda (30), Schröder e Putin caminharam sorridentes sob o sol que brilhava na praia de Sochi, no Mar Negro, acompanhados apenas pela cadela do presidente russo, a labrador Coni. Ao anoitecer, os dois amigos jantaram aos sons da balalaica, até que Putin convidou Schröder a passar a noite em sua residência de férias.

O presidente francês, Jacques Chirac, deveria completar o trio, se não tivesse adiado sua presença para a terça-feira (31), devido a complicações envolvendo os dois jornalistas franceses seqüestrados por terroristas no Iraque. O trio então discutiu por três longas horas, no terraço de Putin com vista para o mar, algumas das mais sérias questões do planeta.

Alemanha manteve "diplomacia silenciosa"

Geiselnahme im Irak Französische Journalisten Georges Malbrunot, rechts, Christian Chesnot, links

Os dois jornalistas franceses foram sequestrados por terroristas

Ninguém se lembrou do pedido feito por organizações humanitárias, para que os políticos aproveitassem a ocasião para criticar a política praticada pelos russos na Chechênia. Berlim preferiu manter a linha da "diplomacia silenciosa", considerando os problemas na república rebelde como um assunto interno russo, que no final das contas não lhe diz respeito. Com a França, não foi diferente.

Enquanto isso, Putin aproveitou para reafirmar sua tese de que existem conexões entre rebeldes chechenos e a rede de terroristas Al-Qaeda, utilizando como deixa a queda recente de dois aviões russos, que causou a morte de 90 pessoas. Putin disse estar até disposto a negociar, "desde que a integridade da Federação Russa não seja questionada".

O segundo grande tema no programa foi a segurança no Iraque. Com o seqüestro dos dois franceses, terroristas escolheram como alvo um país que, junto com Alemanha e Rússia, se opôs veementemente à invasão norte-americana. O trio anunciou estar de acordo quanto à necessidade de apoiar o processo de estabilização no Iraque. "Temos interesse em colaborar como pudermos para melhorar a situação no país", declararam. Maiores detalhes não houve.

Absturz von zwei Flugzeugen in Russland

Restos de um dos dois aviões russos, nos quais foram encontrados explosivos

Por último, foi discutida a questão da segurança interna na Europa: Putin declarou que gostaria que a Rússia participasse mais desse processo. "Paz e desenvolvimento só serão possíveis na Europa, se houver uma parceria realmente estratégica com a Rússia", concordou Gerhard Schröder, e acrescentou: "Disso depende o bem-estar dos povos na Europa".

Putin salientou que ali pode estar surgindo um novo e importante contrapeso a outras constelações de poder na Europa. O trio – que, segundo ele, não é "um clube fechado" – poderia usar sua influência para pleitear baixas no preço do petróleo e transparência no mercado petrolífero.

Palavras duras fazem parte

Mesmo que palavras de crítica façam parte de qualquer amizade, desta vez elas ficaram mesmo de fora. Se por um lado o chanceler alemão celebrou o fato de as eleições na Chechênia terem ocorrido sem problemas, por outro a Comissão Européia declarou que a eleição não foi nem transparente, nem justa. E os EUA a consideraram muito aquém dos padrões internacionais.

Die zerstörte Stadt - Grosny in Tschetschenien

A cidade de Grozny, na Chechênia, destruída e ocupada pelo exército russo

Em Sochi, os políticos proferiram declarações retóricas – esperança de melhora, prontidão para negociar, manutenção da integridade territorial russa –, que pouco ou nada dizem sobre o futuro da guerra e a destruição na Chechênia. Pelo contrário: tudo indica que a Rússia não pretende alterar sua estratégia na região, não abrindo mão do uso de forças militares e legitimando o desrespeito de seus soldados como parte da luta contra o terrorismo. Neste que foi o terceiro encontro dos três países em apenas um ano, Chirac e Schröder perderam novamente a oportunidade de criticar a postura russa. Talvez porque a Chechênia seja um problema menor, se comparada a outras regiões em crise. Talvez para evitar provocar o maior e mais novo vizinho desde a ampliação da UE.

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