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Cultura

Trienal celebra renascimento do jazz no folclore imaginário

A MusikTriennale de Colônia explora uma vasta palheta de estilos: da música clássica à eletrônica, de bandas de rua ao novíssimo jazz europeu, entremeado de elementos folclóricos.

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A MusikTriennale 2004 de Colônia promete sobretudo prazer. É preciso folhear seu programa para encontrar os tradicionais músicos de fraque, sérios, brandindo batutas e outros objetos contundentes. A capa mostra três rostos jovens, entre a alegria e o êxtase (o quarto é de Luigi Nono, homenageado especial). Embora o título Descobrimento Europa circunscreva seu âmbito geográfico, parece infinita a deliciosa palheta de formações e tendências musicais que o evento promete.

Jeffrey Tate

Maestro Jeffrey Tate

Um de seus quatro "capítulos", Kontinent Klang (som do continente), dedica-se aos grandes conjuntos intrumentais da Europa. Nomes como Jeffrey Tate, Ingo Metzmacher, Sylvain Cambreling e o jovem finlandês Sakari Oramo regem corpos orquestrais consagrados. Dentre eles: City of Birmingham Orchestra, Orchestre National de Lyon, Orquestra Nacional Russa e a Helsinki Festival Orchestra. O repertório vai de Joseph Haydn a Hans Werner Henze e Bruno Maderna, passando por Johannes Brahms e Claude Debussy. Já a Orquesta Sinfónica de Galicia oferece uma amostra da zarzuela, a ópera popular espanhola.

Mas o "som do continente" não são apenas orquestras: abrindo o festival, a Banda di Lecce, da Apúlia, na Itália, tomará as ruas da metrópole às margens do rio Reno, sendo seguida por outras duas bandas de rua, uma da região dos Abruzos e outra formada por italianos que moram em Colônia. Uma atração refinada é La Capella Reial de Catalunya, regida por Jordi Savall, que se especializa em música do Renascimento e Barroco espanhóis.

As várias idades do novo

Em Omaggio a Luigi Nono, concertos, filmes, exposições e um simpósio traçam um esboço da obra – e vida – do compositor italiano altamente politizado, que haveria completado 80 anos em 29 de janeiro de 2004. Dentre os 20 eventos, o mais espetacular é, sem dúvida, Prometeo. Essa " tragedia dell’ascolto", com duas horas e meia de duração, emprega quatro solistas vocais, dois narradores, coro, quatro grupos orquestrais e processamento eletrônico ao vivo. Com tamanha exigência de recursos e alto grau de dificuldade, cada (rara) execução desse monumento é sempre uma sensação para o mundo da música contemporânea. Como presença de honra, a viúva do compositor, Nuria Schoenberg Nono.

O programa deste "capítulo" é complementado por contemporâneos ou "parentes eletivos" de Nono, como Luigi Dallapiccola, Anton Webern, John Cage e György Ligeti. Surpreendente a riqueza do material cinematográfico sobre Nono. Ele inclui a filmagem de sua ópera Intolleranza e vários ensaios biográficos (inclusive Abbado – Nono – Pollini, registrando a colaboração estreita com o maestro Claudio Abbado e o pianista Maurizio Pollini), além do cubano Un hombre de éxito, única experiência do mago veneziano dos sons no cinema.

Mauricio Kagel

Compositor Mauricio Kagel

O jazz mudou-se para a Europa

"Na fronteira" também define bem o foco do quarto capítulo que compõe a MusikTriennale 2004 de Colônia. Seu título, Folklore imaginaire, se refere a uma iniciativa lançada na década de 70 por músicos de jazz de Lyon, França. A Association à la recherche d’un folklore imaginaire (ARFI) propôs-se analisar o que constitui o folclore – comunicação, experiências e laços tradicionais comunitários – e, com base nestas categorias, formar um folclore próprio, não-real, imaginário.

A iniciativa rompeu qualquer muro estilístico que ainda protegesse o jazz de influências regionais. Seu programa: não fixar formas, apenas sugerir conteúdos, não defender um estilo, mas sim estar aberto por todos os lados. Paralelamente, presenças como do saxofonista norueguês Jan Gabarek ajudaram a impulsionar o jazz europeu em novas direções. E na década de 90, as fronteiras se tornaram definitivamente relevantes. Estamos ouvindo jazz? World music? Nujazz? Eurojazz?

" Jazz is not dead, it just has moved to Europe" (O jazz não morreu, ele apenas se mudou para a Europa). Inspirados nesta provocadora tese do crítico de jazz Stuart Nicholson, os organizadores da MusikTriennale aproveitaram o ensejo da ampliação da União Européia para reunir músicos da "velha", da "nova" Europa e mais além. Entre Alemanha, Armênia, Holanda, Itália, Islândia, Noruega, Polônia, Portugal, Reino Unido, Rússia e Turquia; e com direito a uma noite de gala em 30 de abril, véspera da cerimônia de ingresso dos dez novos países-membros.

A MusikTriennale se realiza de 17 de abril a 9 de maio.

Immer jetzt (Sempre agora) tem as estréias musicais como foco. "Do escândalo ao deleite auditivo", este núcleo temático da trienal tanto relembra primeiras audições históricas em Colônia – como a da Sinfonia nº 5, de Gustav Mahler, em 18 de outubro de 1904 – quanto destaca estréias "de verdade". Uma delas será Andere Gesänge, para soprano e orquestra, do argentino radicado na Alemanha, Mauricio Kagel. Amplify reúne 12 jovens compositores especializados em live-electronics, na fronteira entre a vanguarda e o pop, entre a música eletroacústica erudita e o scratching dos DJs.

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