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Economia

Trichet substitui Duisenberg no BCE

O holandês Wim Duisenberg, que garantiu uma partida boa da União Monetária e viveu os baixos e altos do euro, cede lugar a Jean-Claude Trichet. O francês assume o Banco Central Europeu coberto de louros antecipados.

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Jean-Claude Trichet sorri depois de absolvido

A era Duisenberg termina, neste sábado (01), como projeto piloto para a União Européia. Trichet, que teve de esperar anos por causa de acusação de maquiar balanço bancário, assume a presidência do BCE com tarefas difíceis pela frente.

Sua política monetária tem de chegar a bom termo com países de inflação alta e outros com baixo crescimento econômico e altos déficits. Estes dois últimos são o caso da Alemanha e da França, que constituem o carro-chefe da UE. Seus déficits de 4% e 3,8%, respectivamente, estão acima do limite de 3% do Produto Interno bruto (PIB) permitido no Pacto de Estabilidade do euro.

Wim Duisenberg - O ex-professor de Economia em Amsterdã, Wim Duisenberg, 68 anos, pode orgulhar-se de ter garantido a partida da moeda comum européia com sucesso, embora tenha percorrido um caminho espinhoso nos seus cinco anos de presidente do BCE. Seus esforços para regular tudo em comum acordo exigiu perspectivas européias e reprimiu pontos de vista nacionais. Colegas e funcionários falam dele com respeito.

Wim Duisenberg und die Zinsen

Wim Duisenberg

Os mercados financeiros, porém, nem sempre o entenderam e criticaram o curso da política monetária do primeiro presidente do BCE. Tais admoestações incomodaram, mas Duisenberg mostrou firmeza. Só uma vez ele surpreendeu com uma carta aberta à população da zona do euro, declarando a sua compreensão com a insatisfação e inquietações por causa da baixa cotação da moeda comum de 12 países. Dos 15 membros da UE, só o Reino Unido, a Suécia e a Dinamarca não adotaram o euro.

A carta aberta foi em maio de 2000, quando um euro valia 90 centavos de dólar. Para maior desgosto do guardião da moeda, meses depois a cotação despencou para 83 centavos. Ele tentou convencer todos para o potencial de valorização do euro e mais tarde ganhou americanos e japoneses para participarem de uma ação concertada em benefício da moeda européia, comprando divisas.

O maior erro - Pouco depois, Duisenberg cometeu seu maior erro. Em entrevista à revista Times, ele respondeu com um "eu não acredito" à pergunta se a onda de violência no Oriente Médio poderia exigir intervenções nas moedas. A frase aparentemente inofensiva não só empurrou o valor do euro para baixo como gerou exigências de sua renúncia, porque presidente de banco central não pode, jamais, falar em público de intervenção no mercado de divisas.

O Conselho do BCE apoiou Duisenberg e ele jurou que jamais voltaria a falar de intervenções. Mas ainda teve que esperar até julho de 2002 para ver o euro alcançar a paridade com o dólar. Agora, em novembro de 2003, as preocupações são outras. O euro está muito forte e isto poderia representar perigos. Mas Duisenberg aprendeu a lição e não fala sobre os riscos de uma mudança de curso. Aliás, o problema agora é de Trichet.

Jean-Claude Trichet, 60 anos, foi eleito presidente do BCE pelos chefes de Estado e de governo dos 12 países da União Monetária a pedido do presidente da França, Jacques Chirac. Trichet assume o mandato de oito anos com muitos louros antecipados. Os mercados financeiros o idealizam como um segundo Alan Greenspan na cúpula do BCE e políticos o apontam como o perito certo para o posto. Economistas o consideram um homem de princípios.

Em todo caso, Trichet leva um novo estilo ao BCE, pois é de temperamento e natureza diferentes do seu antecessor. O filho de professor da Bretanha estudou primeiramente Engenharia de Minas e, depois, Ciências Políticas, Economia e Administração Estatal. Ele é um servidor público convicto e rejeitou vários postos na iniciativa privada. Foi ministro da Economia e das Finanças, chefe do Tesouro e modelou as estruturas industriais e as operações de renegociação das dívidas dos países em desenvolvimento com o Clube de Paris.

Trichet foi indicado por Chirac para a presidência do BCE já em 1997, mas teve que ceder lugar para Duisenberg em virtude da acusação de que teria maquiado o balanço do banco estatal Credit Lyonnais. O caminho para o BCE só ficou livre depois de sua absolvição em junho passado.

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