Tribunal americano suspende extradição do suposto criminoso nazista Demjanjuk | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 04.04.2009
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Alemanha

Tribunal americano suspende extradição do suposto criminoso nazista Demjanjuk

Um tribunal norte-americano impediu, por enquanto, a extradição do suposto criminoso nazista John Demjanjuk, alegando que a transferência de um réu adoentado de 89 anos corresponderia a uma tortura.

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John Demjanjuk em 2005

John Demjanjuk não será extraditado dos Estados Unidos para a Alemanha na segunda-feira (06/04), ao contrário do planejado. Isso foi o que decidiu um tribunal em Arlington, no estado norte-americano de Virginia.

Recentemente, o tribunal de primeira instância de Munique havia dado ordem de prisão contra Demjanjuk. A promotoria o acusa de ter colaborado, como vigia do campo de extermínio de Sobibor, com o assassinato de pelo menos 29 mil judeus.

Biografia de um suposto criminoso nazista

Quem é esse homem que, aos 89 anos, deverá prestar contas à Justiça por atos cometidos há 66 anos?

Ivan Demjanjuk tinha 22 anos quando foi preso por alemães. Ucraniano de nascença, ele primeiro serviu ao Exército Vermelho durante a Segunda Guerra. Em 1942, resolveu mudar de lado e se apresentar à SS como ajudante voluntário, uma decisão que teria consequências. Na época, milhares de jovens da Ucrânia e dos países bálticos fizeram o mesmo.

Em Trawniki, campo de treinamento da SS, ele recebeu uma "formação básica", tornando-se sentinela de diversos campos de concentração e de extermínio do regime nazista.

Após a guerra, ele se deu por "displaced person", desaparecendo em meio a milhões de pessoas que não podiam retornar aos seus lugares de origem no final da guerra. Em 1952, conseguiu emigrar para os Estado Unidos com a mulher e uma filha.

Seis anos depois, John Demjanjuk – nome pelo qual ele é conhecido hoje – adquiriu a cidadania norte-americana e passou a levar uma vida discreta como mecânico de carros em um subúrbio de Cleveland, Ohio.

Ivan, o Terrível

John Demjanjuk

John Demjanjuk (com fones de ouvido) durante o processo de Jerusalém, em março de 1987

No final dos anos 1970, chegaria ao fim o idílio suburbano. Sobreviventes do Holocausto reconheceram Ivan John Demjanjuk como sentinela de Treblinka. Apelidado pelos prisioneiros de "Ivã, o Terrível", testemunhas o acusaram de ter espancado pessoas com canos de ferro e que ele fuzilava ou chicoteava antes de mandar prisioneiros para a câmara de gás.

Em 1981, as autoridades americanas cassaram a cidadania de Demjanjuk, extraditando-o para Israel cinco anos depois. Ele respondeu processo durante 14 meses perante um tribunal de Jerusalém, sob acusação de "crime contra a humanidade, crime de guerra e crime contra o povo judeu".

A defesa tentou provar que Demjanjuk não era Ivã, o Terrível, o vigia sádico do campo de concentração de Treblinka. Sua estratégia foi colocar em questão a memória das testemunhas, apontar contradições nas declarações e afirmar que uma carteira de identidade do campo de formação da SS, com o nome, a foto e a assinatura de Demjanjuk, seria uma falsificação da KGB.

No entanto, o tribunal de Jerusalém deu crédito ao depoimento das 18 testemunhas oculares que o identificaram como Ivã, o Terrível, e o condenou à morte em 1988. Por fim, foi a própria KGB que salvou a vida de Demjanjuk. Em 1992, descobriu-se nos arquivos da KGB um documento que identificava Ivã, o Terrível, com um ucraniano chamado Ivan Marchenko.

Da prisão israelense à liberdade

Após ter ficado por sete anos na prisão, John Demjanjuk retornou aos Estados Unidos em 1993, readquirindo sua cidadania. Mas em 2001 teria início um novo processo, desta vez perante a Justiça norte-americana. O Office of Special Investigations, órgão norte-americano que persegue criminosos de guerra imigrados, conseguiu provar que Demjanjuk dera informações falsas no processo de naturalização.

Mais uma vez a carteira de identidade de Demjajuk na SS foi submetida a análise e os peritos confirmaram sua autenticidade. Com isso ficou provado que Demjanjuk atuara como sentinela em diversos campos de concentração, o que o fez perder novamente a cidadania norte-americana.

Durante um demorado processo jurídico, Demjanjuk se defendeu com todos os recursos legais de que dispunha. Quando esses se esgotaram, em 2008, seu destino deveria ser a extradição para a Ucrânia.

Autoridades alemãs investigam

Dienstausweis von Ivan Demjanjuk, mutmaßlicher Nazi-Kriegsverbrecher

Carteira de identidade da SS: 'Iwan John Demjanjuk'

Agora foi um órgão alemão que entrou em ação: a Agência Central de Investigação dos Crimes Nacional-Socialistas, em Ludwigsburg. Após o diretor Kurt Schrimm ter requerido os documentos dos Estados Unidos e de Israel, o Departamento Estadual de Investigações da Baviera os analisou novamente, provando a autenticidade da carteira de identidade da SS. Os peritos alemães chegaram à mesma conclusão que os americanos: a identidade de serviço número 1393, de Ivan Demjajuk, é autêntica.

Embora Demjanjuk tenha trabalhado em quatro diferentes campos de concentração, as autoridades de Ludwigsburg concentraram suas investigações nas atividades exercidas em Sobibor.

Afinal, Sobibor – ao contrário de Flossenbürg, por exemplo – era estritamente um campo de extermínio, onde nenhuma pessoa envolvida poderia afirmar não ter conhecimento dos assassinatos sistemáticos.

Em Sobibor foram assassinados até 250 mil judeus. Durante o semestre em que Demjanjuk foi sentinela do campo de extermínio, de 27 de março de 1943 até final de setembro de 1943, devem ter ocorrido ali 29 mil assassinatos, segundo os investigadores.

Considerando que, 66 anos depois, praticamente não existem mais sobreviventes de Sobibor que pudessem testemunhar homicídios específicos cometidos por Demjanjuk, a Justiça alemã vai se limitar a acusá-lo de cumplicidade em assassinato.

Autorin: Rachel Gessat

Revisão: Roselaine Wandscheer

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